Este é um Blog educacional, dedicado a discussões acadêmicas sobre a Ecologia Evolutiva. Contém chamadas específicas relacionadas às disciplinas de Ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto, e textos didáticos gerais.
Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
O bem, o mal, e a biologia

Queridos alunos,

 

Em continuidade ao nosso debate da aula passada, seguem algumas referências a pensadores que contrastaram em sua forma de ver o homem e sua natureza interna. Eu diria que pequenos Rousseaus  e Hobbes me manifestaram em sala na segunda feira. Importante perceber, neste embate mais interno que científico, algumas curiosidades interessantes.  Primeiro, de qualquer lado que estivessem, estes pensadores eram preocupados com o bem comum. Hobbes, que aclamava pelo controle do mal do homem (guerra de todos contra todos - Bellum omnia omnes), porém, era anti-naturalista, e pregava a sociedade como forma de combater... a nossa biologia cruel. Já Rousseau, ou mais contemporaneamente, Thoreau (um dos grandes mitos de base do movimento hippie), criam em uma biologia amena (o bom selvagem), e no altruísmo na base de nossos instintos. Contrários portanto à sociedade, pregavam a re-integração do homem com a natureza.

 

O que claramente é um paradoxo é que o temor a uma biologia cruel fundamentou pensadores que dão sustentação aos modelos capitalistas mais cruéis, antropofágicos, e degradantes de nossos recursos naturais!

 

Ao contrário, os pensadores que se apoiavam em um bem natural ligado à própria biologia do homem, e desapaixonados pelos aspectos cruéis da sobrevivência das espécies, fundamentaram todos os movimentos sociais contemporâneos que, de certa forma, nos deram alguma chance de sobrevivência na terra.

 

Sem a visão destes homens, o “ecologismo” não teria tido o alcance que teve, somente pautado na ciência. De fato, a pesquisa científica em prol do Meio Ambiente é hoje uma poderosa arma para a proteção de nossos recursos, sua sustentabilidade, e de um conceito de qualidade de vida que transcende o conforto tecnológico e se assenta na preservação da vida na Terra. Porém, a força política que leva os recursos financeiros para esta área do conhecimento surgiu da contra cultura. Foi neste caminho que cientistas alternativos fizeram as denúncias mais sérias sobre a degradação ambiental nos Estados Unidos (Silent Spring, Rachel Carson, 1962 e The Pesticide Conspiracy, Roberth van den Bosch 1980), em livros, pois as revistas científicas não queriam divulgar dados contra a revolução verde!

 

Afinal, se creres na essência do bem, o bem fará pautado na biologia! Se na essência o mal, vai temer e distanciar de si mesmo. Será que este impasse inesperado já aponta para o bom instinto? Será que salvaríamos afinal aquela velhinha, devido à genética do bem? Ou, egoisticamente, nosso cérebro criou esta percepção de um bem, que claramente tem consequências abrangentes na nossa sobrevivência?

 

Somos a nossa própria “Matrix”, imaginando o bem e escondendo os genes que nos comandam? Seria a surpresa de ver alguém i – ou amoral, cometendo crimes terríveis ou violências de guerra, tão paralisantes à imprensa, por nos depararmos com alguém livre da máscara da co-existência pacífica? O mal é tão explicável por diferentes hipóteses, de fato.

 

Porém, o que explicaria o fascínio, a emoção e o conforto de presenciar ou experimentar a bondade alheia? Improvável de ser só imaginação, ou resquício do afeto lactante materno... há de haver mais!

 

Agora, que haja o tão perceptível BEM, será então ele biológico?



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 05:03
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