Este é um Blog educacional, dedicado a discussões acadêmicas sobre a Ecologia Evolutiva. Contém chamadas específicas relacionadas às disciplinas de Ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto, e textos didáticos gerais.
Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
Seminários turma 2010 Bacharelado - Crença racional em Deus

Título do seminário: Será a crença em Deus racionalmente aceitável?

Tema: Filosofia da religião /// Disciplina: Evolução- BEV170 Data: 06/11/10

Prof°  Sérvio Pontes Ribeiro /// Aluno: Rafael Alberto S. d’Aversa

Resumo

 Um dos principais debates entre a ciência e a religião é o debate entre a biologia e o criacionismo bíblico. Ambas concorrem no intuito de explicar, entre outras coisas, o surgimento e a diversidade da vida existente na Terra. Vejamos brevemente os contornos gerais desta disputa.

Uma teoria importante que pertence ao campo da biologia, e que é crucial nesta contenda, é a teoria da evolução. Em linhas gerais, a idéia central desta teoria é que os organismos sofrem pequenas transformações genéticas aleatórias que, às vezes, lhes confere vantagem competitiva sobre os outros organismos, o que permite aos que sofreram tais transformações deixar mais descendentes e, assim, passar suas características vantajosas adiante. Assim, ao longo de grandes períodos de tempo, surgem lentamente diversas populações de organismos desenvolvidos e adequadamente adaptados.

            O criacionismo bíblico sustenta que toda a diversidade de vida na Terra foi criada por Deus exatamente da mesma forma em que as conhecemos hoje.  Desse modo, para um criacionista, é absurdo dizer que os homens e os chimpanzés evoluíram a partir de um ancestral comum. Pelo contrário: ambos foram criados da forma como são, sendo que os primeiros ainda tiveram o privilégio de ser criados à sua “imagem e semelhança”.

            Como pode ser notado, tais teorias são incompatíveis. Assim sendo, não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e, portanto, deve-se optar por uma delas. Qual será a mais plausível? Embora ambas tenham poder explicativo, quando comparamos as evidências de que cada uma dispõe, temos que a teoria da evolução possui uma grande vantagem em relação ao criacionismo. Podemos citar algumas: registros fósseis, homologias (semelhanças entre espécies), observação direta de evolução em pequena escala em laboratório, etc. Por outro lado, as “evidências” normalmente apresentadas pelos criacionistas não parecem ser persuasivas (pelo menos de um ponto de vista racional). Apelar à autoridade da Bíblia, por exemplo, não é uma boa justificativa porque só serve para convencer aqueles que já a aceitam. E uma evidência capaz de persuadir somente aqueles que aceitam o que ela pressupõe não é uma boa evidência. Tal como um pastor que só consegue pregar aos fiéis já convertidos - não sendo capaz de converter fiéis novos - não é um bom pastor.

Um aspecto importante a destacar nesta discussão, e que faz com que o criacionista que adota esse tipo de justificativa fique à partida em desvantagem, é que na Bíblia não existem argumentos a favor da existência de Deus. Tudo é descrito e explicado pressupondo já a sua existência. Ora, é perfeitamente natural – para seres racionais – rejeitar explicações que não são sustentadas por boas razões e que possuem uma infinidade de pressupostos injustificados. De modo que, um criacionista que queira defender a tese de que Deus criou tanto o mundo, bem como a variedade de vida que há nele, deve primeiramente oferecer razões – que não dependam da aceitação prévia de livros sagrados, fé, etc. – para acreditarmos que Deus existe.  Desse modo, coloca-se a pergunta: Será racional a crença em Deus? Será que há boas razões para supor que ele existe ou tal aceitação é meramente uma “questão de fé”?

            O objetivo deste seminário é sustentar a possibilidade de uma defesa racional da existência de Deus. Em primeiro lugar, apresentaremos algumas razões comuns a favor de sua existência, expondo seus problemas e pontos fracos. Em segundo lugar, exporemos dois dos principais argumentos mais discutidos na história da filosofia da religião ressaltando que, mesmo que não forem conclusivos, mostram-nos que a crença em Deus – quando embasada em argumentos – é uma alternativa racional.

Bibliografia

  • AQUINO, Tomás de (1273). Suma Teológica. Trad. Alexandre Correia, org. Rovílio Costa. Caxias do Sul: Livraria Sulina Editora, 1980
  • GRIM, Patrick (2007) "Argumentos da impossibilidade" in Martin (2007).
  • MARTIN, Michael (org.) (2007) Assistente Cambridge de Ateísmo. Trad. Desidério Murcho. Lisboa: Edições 70, em preparação.
  • ROWE, William L. Introdução à Filosofia da Religião, Trad. Vítor Guerreiro. Revisão científica de Desidério Murcho. Vila Nova de Famalicão: Quasi, no prelo.


publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 21:12
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