Este é um Blog educacional, dedicado a discussões acadêmicas sobre a Ecologia Evolutiva. Contém chamadas específicas relacionadas às disciplinas de Ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto, e textos didáticos gerais.
Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
seminários de evolução - evolução do homem

Universidade Federal de Ouro Preto

Departamento de Biodiversidade, Meio Ambiente e Evolução

Evolução

 

 

 

 

 

 

Evolução do Homem

 

 

 

 

 

 

 

Alessandra Resende

Guilherme Frederico

Isadora Sampaio

Laura Batista

Raquel Moreira

 

 

Ouro Preto

2011

A EVOLUÇÃO DO HOMEM

 

De onde viemos? Por séculos a grande pergunta da história da ciência não teve uma resposta cientifica. Então a primeira evidencia de um ancestral humano deu inicio a uma revolução cientifica. Essa é a história da busca da origem da raça humana ela abrange um século e meio de buscas incansáveis que construiu e destruiu a carreira de grandes cientistas da área. Para uns poucos afortunados uma descoberta daria um vislumbre do mundo desconhecido dos nossos ancestrais. Juntando os fragmentos do passado a história foi finalmente construída, abrangendo 300 mil gerações, cerca de 3 milhões de anos é a historia do nosso progresso, do macaco ao homem. A busca pela origem da humanidade seria uma historia de ossos e o que eles contavam.

Em 1859, três anos após as descobertas das primeiras evidências dos Neandertais, Charles Darvin publicou sua obra a origem das espécies. Ele sugere que todos os seres vivos descendem de uma forma ancestral mais simples pelo processo da evolução e se isso vale para todos os seres vivos na Terra isso vale para nos, os humanos, também.

Se o homem evoluiu de uma forma mais simples para a mente cientifica a implicação era obvia e perturbadora. Os humanos só podiam descender de macacos, o impacto na psicologia vitoriana foi profundo. Muitos acreditavam que a evolução os reduziria a pouco mais do que bichos.

Os cientistas começaram a então buscar o elo que nos ligava aos macacos.

Para entender melhor a evolução do homem discutiremos a respeito da evolução dos primeiros primatas, passando pela dos hominídeos, citando também as questões biogeográficas e anatômicas que favoreceram e influenciaram nessa evolução do macaco ao homem. Por último e não menos importante enfocaremos a evolução cultural do homem.

Há milhões de anos nas planícies da África houve um momento importante. Macacos que andavam em quatro patas se levantaram e andaram sobre duas, eventualmente essa mudança na postura seria seguida por uma mudança em seu cérebro. De alguma forma, com o tempo eles se tornariam nós. O que separa os macacos da linhagem dos hominídeos é principalmente a postura ereta. Os primeiros hominídeos mesmo apresentando uma postura ereta apresentam a parte superior adaptada para a escalada assim como os macacos. Essas criaturas ancestrais deveriam passar boa parte do tempo nas árvores possivelmente dormindo lá durante a noite para fugir de predadores e andando eretos no chão durante o dia.

Acredita-se que os primeiros a adotarem o bipedalismo viviam na África em uma época onde a paisagem desse lugar era formado por um mosaico de ambientes diferente, desde florestas, campos rios e lagos. Conforme a área de floresta se encolhia isso fez com que surgisse o bipedalismo.  Isso fez com que fosse possível observar sobre a  grama alta e pudessem carregar objetos. Outra vantagem foi que ele proporciona uma economia de energia no deslocamento.

A linhagem evolutiva humana não é completamente conhecida, sendo que os hominídeos descritos abaixo obedecerão a uma ordem de acordo com o tempo em que estiveram na Terra, do mais antigo ao mais recente. Isso não significa que um hominídeo descendeu diretamente do outro.

Ardipithecus ramidus: é uma espécie de hominídeo fóssil  que existiu há 4,4 milhões de anos, na Etiópia, tinha uma capacidade craniana de 410 cm³, ou seja, três vezes menor que a do Homo sapiens. Foi descrita por Tim White e sua equipe a partir do descobrimento na África Oriental no ano 1983 por meio de alguns maxilares. O A. ramidus também se distingue por seus caninos superiores em forma de diamante, que são muito mais parecidos aos humanos que os caninos em "v" dos chimpanzés; além disso, os machos Ardipithecus, como os humanos, tinham os dentes caninos de tamanho similar aos das fêmeas, o que para Lovejoy teve relação com mudanças decisivas nos comportamentos sociais. No entanto, a criatura provavelmente se parecia mais a um símio que a um humano.

  Australipithecus anamensis: é uma espécie de australopiteco descoberta em 1994 por Meave Leakey no Norte do Quênia. Seu nome deriva de anam que significa "lago" na língua Turkana local. Os fósseis incluem a mandíbula e maxila, fragmentos craniais, e as partes superior e inferior do osso da perna. Os fósseis têm sido datados de 3,9 a 4,2 milhões de anos, sendo do início do Plioceno. A dentição é menos parecida com a dos macacos. O fóssil da tíbia indica que o A. anamensis era maior que o A. afarensis e o Ardipithecus ramidus, com um peso estimado entre 46 e 55 quilogramas, apesar de poder ter sido apenas um indivíduo maior da espécie. A anatomia semelhante a dos humanos indica que o A. anamensis era bípede na postura e na locomoção.

Australopithecus afarensis: é uma espécie de hominídeo extinto proposta em 1978 por Tim White e Don Johanson. Os vestígios fósseis foram datados em 3,4 milhões de anos. O nome provém da região onde foi encontrado a Depressão de Afar. Até ao presente, foram já encontrados fragmentos desta espécie pertencentes a mais de 300 indivíduos, datados entre 4 e 2,7 milhões de anos, todos na região norte do Grande Vale do Rift, incluindo um esqueleto quase completo duma fêmea adulta, que foi denominada Lucy. Uma das características marcantes de Lucy é o tamanho de seu cérebro: 450 cm cúbicos. Um pouco maior que o cérebro de um chimpanzé moderno.

Australopithecus bahrelghazali: é um pouco mais jovem que A. anamensis e contemporâneo do A. afarensis. Foi encontrado em Chad, centro da África, em sítio fóssil interpretado como um; ago na floresta. Foi o primeiro hominídeo encontrado a oeste da fenda de “Rift Valley”, o que sugere que os primeiros hominídeos estavam mais dispersos pela África e era mais diverso quanto aos seus habitats.

Australopithecus ghari: Datada em 2,5 milhões de anos foi encontrada na Etiópia. Alguns cientistas a consideram o elo perdido entre os gêneros Australopithecus e Homo. Primeira espécie a se alimentar de carne a usar ferramentas.

Australopithecus africanus: viveu entre 2 e 3 milhões de anos atrás, durante o período conhecido como Pleistoceno. Foi descrita por Raymond Dart em 1924, com base no "Crânio Infantil de Taung", um crânio de um ser jovem que Dart pensou ser o “elo perdido” da evolução entre os símios e os seres humanos. Dart considerou ser o achado relativo a uma espécie nova, devido ao pequeno volume do seu crânio, mas com uma dentição relativamente próxima dos humanos e por ter provavelmente tido uma postura vertical. Esta revelação foi muito criticada pelos cientistas da época, entre os quais Sir Arthur Keith, que postulava que não passava do crânio de um pequeno gorila. Como o “crânio Infantil de Taung”, realmente um crânio de um ser jovem, havia espaço para várias interpretações e, mais importante, nessa altura não se acreditava que o “berço da humanidade” pudesse estar em África. As descobertas de Robert Broom em Swartkrans, na década de 1930 corroboraram a conclusão de Dart, mas algumas das suas ideias continuam a ser contestadas, nomeadamente a de que os ossos de gazela encontrados junto com o crânio podiam ser instrumentos daquela espécie.

Gênero HOMO

Atualmente a espécie Homo sapiens sapiens é a única descendente do gênero Homo que ainda se encontra viva, todas as outras foram extintas. As diferenças entre as várias espécies são, em alguns casos, mínimas e existe pouca informação, o que leva a crer que não haja um consenso acerca de quais  espécies que deveriam ser consideradas isoladas e quais deveriam ser consideradas subespécies de outras espécies. Homo provem do latim e significa pessoa, este termo foi inicialmente utilizado por Carolus Linnaeus quando elaborou o seu sistema de classificação.

Já separados do Australopitecus africanus, se desenvolviam novas espécies: o Homo habilis, o Homo esrgastes, o Homo erectus, o Homo heidelbergensis o Homo sapiens neanderthalensis e o Homo sapiens sapiens.

A primeira espécie Homo é o Homo habilis, que surgiu há 2,5-2,3 milhões de anos na África. É a que menos se parece com o H. sapiens, com braços proporcionalmente muito mais longos, cavidade craniana menor e morfologia geral similar aos Australopithecus. Tinha aproximadamente 1 metro de altura e pesava cerca de 30 a 40 kg. Foi o primeiro a construir e utilizar ferramentas de pedra lascada e era onívoro. O cérebro relativamente maior em relação aos Australopithecus (pouco menos da metade do nosso) fomentou maior eficiência nas caçadas, tanto pelo aprimoramento e desenvolvimento de ferramentas, quanto pela melhoria na capacidade de comunicação.

Fósseis hominídeos, do Pleistoceno Médio, datados entre 1,5 milhões de anos, são denominados de Homo erectus e foram encontrados na África, sudeste da Ásia e no sul da Europa. Foi a primeira espécie do gênero Homo a migrar para fora de África. Tinha aproximadamente 1,70 metros de altura e pesava cerca de 60 Kg. Homo erectus mostra mudanças evolutivas rápidas na mandíbula e na capacidade craniana. Com um cérebro do tamanho da metade do nosso, era bem inteligente e dominava o uso de uma das mais importantes ferramentas que o homem já teve, o fogo. Viviam em tribos de 20 a 50 indivíduos morando por um tempo relativamente longo em cavernas.

Homo ergaster é uma espécie de hominídeos com idade estimada de 1,8 e 1,2 milhões de anos, que habitavam a África. Na grande maioria, os investigadores encontram poucas diferenças entre H. ergaster e H. erectus que os distingam como espécies diferentes. No entanto, por regra geral, consideram-se os H. ergaster como os H. erectus mais antigos e confinados geograficamente à África, descrevendo-se como espécies diferentes. Tinham aproximadamente 1,90 metros e pesavam cerca de 60 Kg. Foram encontrados machados e facas perto dos seus fósseis e alguns cientistas defendem que esta espécie já domina o fogo.  Seu corpo era robusto, porém com esqueleto (proporção entre os ossos dos braços e os da perna) semelhante ao do homem atual.

O Homo heidelbergensis surgiu há cerca de 900 mil anos atrás, na Etiópia, leste africano. Apresentavam uma capacidade craniana quase igual à nossa. Era uma espécie alta, com cerca de 1,80 m de altura e provavelmente mais musculosa que o homem moderno. Foi a primeira no início da espécie humana a caçar animais de grande porte e viver em climas mais frios, pois seus corpos adquiriram uma adaptação de conservação de calor. Acredita-se que o Homo heidelbergensis foi um ancestral comum tanto ao Homo sapiens neandertalensis como à nossa espécie. Existem indícios que ele já fazia alguns desenhos artísticos e alguns rituais relacionados com a morte.

Homo sapiens neanderthalensis era uma espécie humana robusta que viveu entre 135.000 e 30.000 anos na Europa e Ásia ocidental. Os Neandertais clássicos (encontrados na Europa) tinham altura girando em torno de 1,60 metros e eram atarracados, uma solução anatômica para reduzir a área de resfriamento e o corpo preservar calor, já que viviam em ambientes frios. Tinham faces longas e crânios grandes, e a capacidade de cérebro era excedente a dos humanos modernos. Neandertais são as primeiras pessoas conhecidas por terem enterrado seus mortos. Onde a caça era mais abundante eles também se tornavam mais sedentários, construindo vivendas permanentes. Cientistas ainda debatem se eles são uma sub-espécie próxima e relacionada com os humanos modernos ou representam uma linha colateral mas não ancestral a humanos modernos.

Homo sapiens sapiens teve como seu primeiro representante o Cro-Magnon It lived at the time of the oldest definite control of fire and use of wooden spears, and it was the first early human species to routinely hunt large animals., eram muito semelhantes aos europeus modernos e eram mais altos do que os Neandertais. Nossa espécie evoluiu a partir de uma pequena população africana há aproximadamente 200.000 anos atrás. Sendo assim os Humanos Modernos são datados a partir dos 150.000 anos. Entre as principais características tem-se o aumento do tamanho da caixa craniana. As características anatômicas e comportamentais  que acompanharam a transformação evolutiva de H. erectus para H. sapiens envolveu, anatomicamente, uma diminuição da robustez tanto do esqueleto quanto dos dentes, modificações funcionais particularmente relacionadas à locomoção, o aumento do volume craniano e estrutura das mãos para uma melhor destreza manual. Quanto ao aspecto comportamental, a transição trouxe o desenvolvimento de uma indústria lítica mais apurada e com tecnologia de ferramentas diversas, estratégias de coleta e procura de alimentos mais eficientes, organização social mais complexa, o desenvolvimento completo de idioma falado, e expressão artística, porém não há um consenso quanto a origem, destes anatomicamente humanos modernos. 

 

TEORIAS DA EXPANSÃO

Em relação à origem dos humanos modernos, alguns cientistas acreditam em um modelo multi-regional para a evolução humana enquanto outros acreditam em uma origem única.

A perspectiva de multi-regionalistas é que estendendo-se até a origem do H. erectus , there have been populations of humans living around the old world, and these all contributed to successive generations, eventually leading to modern humans. erectus, haviam populações que viviam ao redor do mundo antigo, e todos eles contribuíram para sucessivas gerações, o que levou aos humanos modernos. In this model, there are paralleled changes in all penecontemporary populations, with enough genetic migration to maintain close species bonds, while still allowing the suite of racial features we see today.Neste modelo, há mudanças paralelas em todas as populações, mantendo as espécies próximas, enquanto ainda permitindo o conjunto de características regionais que vemos hoje.

Na segunda teoria, análise de materiais fósseis indica provavelmente uma única origem africana, que também é sustentada pela hipótese da Eva Mitocondrial e cromossomo Y. Na qual a análise de DNA mitocondrial (mtDNA) de pessoas de todo o mundo mostra que todos são descendentes de uma única mulher que viveu na África há 170.000 anos e a análise de uma sequência de 2.600 pb do cromossomo Y indica que todos os machos humanos são descendentes de um único indivíduo.

Para alguns pesquisadores existem algumas explicações para o fato de que apenas o mtDNA de Eva tenha conseguido sobreviver. A possibilidade mais provável é que um efeito gargalo aconteceu na humanidade enquanto Eva estava viva. Essa é uma situação em que a grande maioria dos membros de uma espécie morre de maneira repentina, deixando a espécie à beira da extinção. Suspeita-se que o efeito gargalo tenha acontecido em momentos distintos da história da humanidade, então não é uma idéia irreal que um acontecimento como esse possa ter ocorrido durante a vida de Eva. Além disso, é possível que depois de algumas gerações, o mtDNA de outras mulheres tenha desaparecido. Como por exemplo, se uma mulher tem apenas filhos homens, o mtDNA dela não será transmitido. É possível que essa possa ter sido a causa para a Eva surgir como a única “Mãe Sortuda” que em essência deu à luz todos nós.

 

CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS E A EVOLUÇÃO DO HOMEM

Características ambientais – em particular o clima – constituem o principal fator que irá determinar, por meio da seleção natural, a modificação adaptativa das espécies vegetais e animais. Como consequência, ainda, do processo de separação dos continentes, iniciado há 200 milhões de anos, grandes deformações de relevo ocorreram na África e na Ásia, como, por exemplo, o levantamento da cordilheira do Himalaia, a abertura da fenda de “Rifty Valley” e a evaporação do Mar Mediterrâneo.

Desde os últimos 50 milhões de anos, a maior parte de Europa, da Índia, da Arábia e do oriente africano era habitada por inúmeras espécies de símios arborícolas. Com a formação da fenda de “Rifty Valley” e das transformações climáticas, criou-se uma barreira geográfica que separou a população ancestral em dois grupos. Os antropomórficos do lado oeste divergiram para os macacos atuais. Os do lado leste ficaram encurralados numa zona onde essas florestas tornaram-se rarefeitas, sob influência do aumento da aridez, formando um novo hábitat. Esse novo ambiente era a situação ideal para um símio capaz de caminhar em pé. Animais com essas características constituíram a família dos hominídeos primitivos. No Pleistoceno Inferior, por volta de 2,5 milhões de anos, houve divergência entre duas linhagens, a dos primeiros humanos verdadeiros e a dos Autralopithecínes robustos, que com subsequentes resfriamentos climáticos e um clima mais seco foram levados à extinção.

The record of human modification of the environment spans at least 2.5 million years.O registro de modificação humana a cerca do ambiente abrange pelo menos 2,5 milhões de anos. During this period, changing climates would have resulted in changes and uncertainties in the availability of critical resources (eg, food and water). Enquadrada no contexto das mudanças climáticas no final do Plioceno e Pleistoceno, a capacidade de fazer ferramentas, explorar novos alimentos, controlar o fogo, construir abrigos duráveis, e organizar atividades social e complexa refletem as respostas evolucionárias que permitiram ancestrais humanos sobreviverem e se adaptar aos riscos e incertezas ambientais. Modificações mais profundas This fundamental change in how humans acquired food involved a transition from dependence on wild food sources sought and found each day, involving much of the population, to dependence on food that could be grown and stored by a much smaller subset of the population (Flannery, 1986; Zeder, 2006).fizeram com que grupos originalmente altamente móveis se tornassem sedentários. Populations grew in size due to the existence of a more stable food supply, which also enabled some members of the population to become specialized craftsmen, artists, inventors, religious and political figures, along with the many other roles that people adopt in modern society (Diamond, 1997).Populações cresceram em tamanho, devido à existência de uma oferta estável de alimentos, o que também permitiu que alguns membros da população se tornassem artesãos especializados, artistas, inventores, figuras religiosas e políticas, entre outros. The following is a summary of several distinct developments over the long course of human evolution that provided the antecedents to this critical transition.

 

EVOLUÇÃO CULTURAL

A Evolução Cultural consiste em mudanças no comportamento fundamentadas no aprendizado e não em alterações de frequências gênicas, podendo ser tanto vertical (transmitida por gerações) como horizontal (por imitação de práticas entre irmãos e companheiros de um mesmo grupo). (Futuyma, 2002)

As inovações culturais também sofrem ação de fatores seletivos, no sentido que algumas ficam arraigadas na cultura e outras não; elas podem se fixar seja devido à utilidade óbvia seja porque são associadas popularmente com status elevado ou porque são impostas à força. Segundo Futuyma (2002) a evolução das línguas ocorre devido a um tipo de deriva, mudanças aparentemente casuais que levam, por exemplo, à formação de dialetos.

A evolução cultural pode ocorrer muito mais rapidamente que a evolução biológica e mudanças súbitas podem ocorrer numa única geração.

Assim como analisamos a evolução biológica de um caractere, analisemos rapidamente a evolução cultural, por exemplo, da palavra “você”: No final da idade moderna, por volta do século 14, para se dirigir a alguém, os portugueses utilizavam duas palavras: VOSSA MERCEDES. Ao longo do tempo, tal expressão tornou-se menos formal, reduzindo-se ao termo VOSSA MERCÊ. Durante o período colonial brasileiro, com o encontro das línguas e a mistura das raças, havendo tratamento mais comum e aberto, as duas palavras se reduziram a apenas uma: VOSSEMECÊ, que posteriormente se transformou em VOSMECÊ. Por fim, finalizando o processo evolutivo, já no final do século 19, surge o conhecido VOCÊ. Vale destacar também as variações populares, utilizadas por índios e escravos, como MECÊVANCÊVASSUNCÊ e OCÊ. Hoje, com o advento da internet e o surgimento do “internetês”, a abreviação VC é empregada para o mesmo significado. Eis um exemplo simplificado de como a linguagem transforma-se tão rápida e facilmente.

Assim como no processo evolutivo biológico ocorre o fluxo gênico, na evolução cultural ocorre a troca de informações entre diferentes sociedades, uma vez que estas adotam os hábitos umas das outras.

A evolução cultural nem sempre se dá pela seleção de vantagens, pelo contrario, muitas vezes o aspecto em questão torna-se desvantajoso, para o individual e para o grupo em algum momento, a longo ou curto prazo.

Algumas características culturais têm suas frequências aumentadas não somente devido à sua transmissão, mas porque elas influenciam no crescimento e na dispersão das populações. A opção pela agricultura, por exemplo, fez com que as sociedades pastorais alcançassem densidades populacionais maiores do que as sociedades dos caçadores-coletores, levando à prevalência desse grupo. (Ammerman e Cavalli-Sforza, 1984, apud Futuyma, 2002). Cultura não são simplesmente resultados de alterações numéricas e o comportamento de uma sociedade não pode ser interpretado como sendo meramente uma consequência dos desejos e das condutas de seus membros, diferentemente da evolução genética, em que a mudança numa característica ocorre à medida em que os números relativos de indivíduos com um ou outro genótipo são alterados e as propriedades da população frequentemente são a somatória das propriedades dos indivíduos que o compõe.

Segundo Futuyma (2002), muitas espécies de animais sociais apresentam uma capacidade rudimentar para a cultura, como, por exemplo, os macacos japoneses (Macaca Fuscata) desenvolveram uma variedade de tradições culturais que são difundidas através do aprendizado, como, por exemplo, separar o trigo da areia, colocando-os para flutuar na água. Da mesma maneira, os chimpanzés aprendem com os mais velhos a utilizar gravetos para extrair térmitas dos seus ninhos. Vários chimpanzés mantidos em cativeiro demonstraram habilidade para aprender sinais de linguagem, um uso simbólico que era considerado restrito à espécie humana.

As mudanças ocorridas nos hábitos e cultura, bem como o aprimoramento de habilidades mentais em destreza para realiza-las pode ter levado à uma seleção para mudanças em características morfológicas, tais como a estrutura da mão, tamanho do pênis (maior  em relação ao dos grandes macacos) – pode ser consequência da seleção sexual - e a receptividade sexual contínua da fêmea (ao invés de sazonal como na maioria das espécies) – possível adaptação para manter a união de um casal).

 Homo sapiens é uma espécie cosmopolita e biologicamente única. Não existem mecanismos biológicos de isolamento entre as populações humanas, embora ocorram frequentemente barreiras culturais ao acasalamento.

Características físicas tais como a cor da pele, textura dos cabelos, forma dos incisivos, forma da cabeça e estatura variam nos humanos de acordo com a distribuição geográfica. Da mesma maneira também ocorrem variações de algumas características em qualquer espécie com ampla distribuição. Essas características têm sido usadas para definir “raças”, o equivalente a subespécies em outros organismos. (Futuyma, 2002)

É evidente que as populações podem ser distinguidas umas das outras, mas, de maneira geral, o grau de divergência genética é muito pequeno. A “distância genética” média entre os principais grupos raciais é pequena demais para que esses grupos possam efetivamente ser separados em raças. E vale ainda lembrar que povos morfologicamente semelhantes não são necessariamente os mais semelhantes do ponto de vista genético.

Assim, segundo Futuyma (2002), os estudos de variação genética indicam que mesmo os povos mais diferentes divergiram muito recentemente na história da humanidade. Que existem, de modo geral, diferenças muito pequenas entre as “raças”, com exceção daquelas poucas características morfológicas óbvias pelas quais elas normalmente são reconhecidas. Que muitas características que variam geograficamente não correspondem aos limites da distribuição das raças. E, finalmente, a não ser que surjam evidencias em contrário, que as poucas características que variam substancialmente entre as “raças” se restringem à cor da pele, forma do cabelo e à aparência. Por exemplo, não há razão para se esperar que as habilidades mentais variem entre as raças mais do que os genes codificadores de proteínas ou os da estrutura da mão.

A variação geográfica da espécie humana se dá devido à estrutura populacional adotada como sendo pequenos grupos dispersos e confinados por barreiras topográficas (que hoje seriam ultrapassadas facilmente). Já nas sociedades industriais do mundo moderno, a taxa de fluxo gênico entre os centros populacionais é provavelmente a maior de toda a história da humanidade, embora muitas populações do mundo ainda vivam em comunidades tradicionais entre as quais ocorre troca bastante limitada.

Mutações ocorrem na espécie humana como em qualquer outra, porém, muitas não causam maiores danos antes da idade reprodutiva, de forma que são costumeiramente repassadas aos descendentes. Enquanto outras deletérias não deixam que o indivíduo atinja a maturidade sexual. Dessa forma a seleção natural age também sobre a espécie humana, porém, recursos tecnológicos e científicos agem “contra” a seleção natural, uma vez que evitam ou adiam a morte daqueles que deveriam tê-la devido a algum fator genético, levando ao aumento da frequência do aparecimento de genes que causam tais anomalias na população, o que, a longo prazo, passa a ser um aumento  substancial no aparecimento desses genes, além de levar à diminuição da taxa de mortalidade da população (o que, nas sociedades industrializadas, não se sabe o porque, leva à diminuição da natalidade). Isso nos leva a pensar se a seleção natural não atinge mais a espécie humana, porém não é toda a população que tem acesso às maravilhas que nos permitem “burlar” a seleção natural.

 

EVOLUÇÃO E COMPORTAMENTO HUMANO

É bastante discutível se a biologia evolutiva é importante ou não para compreender o comportamento humano. Embora muitas características comportamentais humanas possam ser observadas em uma forma rudimentar em outros primatas, o fator dominante na evolução humana recente tem sido a evolução de enorme flexibilidade do comportamento e a capacidade de aprender a transmitir cultura. Embora alguns biologistas e antropologistas considerem as características humanas supostamente universais como sendo adaptações geneticamente canalizadas que foram herdadas dos primeiros ancestrais hominoides, outros a consideram como sendo respostas culturais e aprendizado altamente variável e, para reforçar esse ponto de vista, mencionam as mudanças históricas rápidas e a variação cultural entre os povos. Existem poucas evidencias evidentes de que grande parte da variação nas quantidades comportamentais humanas tenha uma base genética e nenhuma evidência de que as características comportamentais sejam limitadas geneticamente de modo significativo.

As condições culturais das sociedades humanas têm influenciado e continuam a influenciar nossa evolução biológica. Poucas questões têm suscitado tanto interesse e controvérsia como essa: como nosso comportamento pode ser limitado pelos nossos genes?

Os argumentos dizem respeito a dois problemas distintos, mas relacionados. Em alguns casos, a questão é se diferenças entre indivíduos e grupos em relação à inteligência ou a outras características comportamentais são baseadas em diferenças genéticas entre eles. Em outros casos, o argumento é se uma característica humana aparentemente invariável e universal é codificada ou não pelo genoma. Esses argumentos trazem à tona o aspecto do que pode ser a “natureza humana”.

O conceito de que alguma coisa seja “natural” é uma visão tipológica; ele está intimamente relacionado com a noção de que os seres vivos têm “essências” às quais eles se amoldam em maior ou menor grau. Por exemplo, normalmente é considerado como “natural” os humanos serem agressivos ou heterossexuais e “não-natural” serem pacíficos ou homossexuais.

A natureza humana inclui qualquer coisa que os seres humanos façam, desde a coprofilia até a composição de sinfonias. Esses comportamentos, na realidade, podem ser considerados como “anormais”, se forem definidos como tais comportamentos muito raros do ponto de vista estatístico. De qualquer forma, não existe nenhum critério claro para se determinar que eles sejam “não-naturais”.

Argumentar que nosso comportamento, como uma espécie, é geneticamente determinado, significa simplesmente dizer que ele tem limites – que a norma de reação é tão limitada pelos nossos genes de tal forma que a agressividade (ou o que quer que seja) se desenvolva independentemente das condições ambientais ou pelo menos se desenvolva sob a maioria das condições ambientais ás quais possamos ser expostos.

A afirmação de que a espécie humana tem uma tendência “natural” para certos tipos de comportamento normalmente está baseada em uma das duas alternativas. A tradicional é lembrar que os humanos se desenvolveram bem recentemente com outros primatas a partir de ancestrais comuns e chamar a atenção para semelhanças entre o comportamento humano e o de outros primatas ou, ainda, de espécies mais distintamente relacionadas. Presume-se que as características sejam geneticamente homólogas entre os humanos e as outras espécies. Existem problemas relacionados com essa argumentação, por exemplo; que qualquer um desses comportamentos é tão variável entre os humanos e entre as espécies não humanas que distinguir correspondências entre os dois grupos é muito difícil. A segunda alternativa para a determinação genética da “natureza humana” é centrada na adaptação. Este tem sido o principal argumento de alguns sociobiologistas. Os argumentos da sociobiologia consistem principalmente em criar hipótese sobre quais seriam os comportamentos adaptativos e procurar congruências entre comportamentos esperados e observados.

A existência de variação nas características comportamentais humanas não daria base para a visão ambientalista se a variação fosse, em grande parte genética – possivelmente, cada um de nós ficaria limitado a uma parte determinada do espectro do comportamento, devido ao nosso próprio genótipo. Isso implica em duas questões: será que a variação comportamental entre indivíduos é devida, em grande parte, a diferenças genéticas? E, se fosse verdadeiro, implica que nosso comportamento individual é fixado pelos nossos genes? Com relação a essa última questão, a resposta é evidente, que é não! Todo genótipo tem uma norma de reação, uma variedade de fenótipos expressos sob a influência de ambientes diferentes. Assim, dois genótipos que manifestam fenótipos diferentes em um determinado ambiente podem apresentar o mesmo fenótipo ou fenótipos diferentes reversos em outro ambiente.

O debate “natureza versus condições sociais” tem sido centralizado em torno do tema variações na inteligência ou, mais propriamente no valor do QI (quociente de inteligência).O debate então, é se a variação contínua no QI também representa variação genética. Pressupõe-se que esses testes sejam absolutamente não influenciados pela cultura, mas na realidade eles têm sido criticados como favorecedores de indivíduos brancos e da classe média.

Os melhores dados sobre a herdabilidade do QI vieram de estudos recentes que correlacionaram o QI de pais adotivos com seus filhos biológicos e seus filhos adotados, vivendo no mesmo lar; a suposição, nesse caso, é que a correlação entre o pai e seu filho biológico seria devida tanto aos genes como ao ambiente, enquanto que a correlação entre o seu pai e seu filho adotivo seria devido somente ao ambiente. Em dois estudos desse tipo, o QI da mãe foi correlacionado identicamente com o do seu filho biológico e o do seu filho adotivo. A correlação entre o QI do pai e do seu filho biológico foi maior do que a correlação do QI dele e do seu filho adotivo, mas a diferença não foi estatisticamente significativa.

Da mesma forma que na Europa pré-científica haviam pessoas que citavam a Bíblia para justificar as cruzadas, inquisições e caça as bruxas, as ideias da ciência muitas vezes são utilizados a serviço da iniquidade social. Nos seus primórdios, a evolução foi utilizada de maneira desonesta pelos darwinistas sociais para justificar o racismo e a dominação imperialista, para excluir as mulheres do poder político e econômico com base nas suas supostas inferioridades genéticas; também para imputar a pobreza, analfabetismo e criminalidade à inferioridade genética nas qualidades intelectuais e morais e não às condições sociais que excluem grande parte da sociedade do acesso à riqueza e à educação.

Segundo Dawkins, em seu livro O gene egoísta, quase tudo que é incomum no homem pode ser resumido em uma palavra: "cultura", ele cria um nome para o novo replicador, um substantivo que transmita a ideia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade de imitação, denominada Meme.

Exemplos de memes são melodias, idéias, "slogans", modas do vestuário, maneiras de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se propagam pulando de corpo para corpo através dos espermatozóides ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se de memes pulando de cérebro para cérebro por meio de um processo que pode ser chamado, no sentido amplo, de imitação.

É por imitação, em um sentido amplo, que os memes podem replicar-se. Mas, da mesma maneira como nem todos os genes que podem se replicar têm sucesso em fazê-lo, da mesma forma alguns memes são mais bem sucedidos do que outros. Isto é análogo à seleção natural. Memes propagados e firmados em um ambiente consolidam tradições, de forma análoga aos genes, como Dawkins ressalta, o que parecer melhor, seja pelo motivo que for – coação, força argumentativa, ou o que valha), se firma mais em um determinado contexto, permanecendo.

REFERÊNCIAS:



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 01:41
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