Este é um Blog educacional, dedicado a discussões acadêmicas sobre a Ecologia Evolutiva. Contém chamadas específicas relacionadas às disciplinas de Ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto, e textos didáticos gerais.
Terça-feira, 8 de Novembro de 2011
SemináriosEvolução Bach 2011 - A vida sintética – Um debate ético

A
vida sintética – Um debate ético

Ana Laura Dutra, Lucas Álvares, Mariana
Monteiro, Thiago Nepomuceno.

Universidade Federal de Ouro Preto

 

Algumas décadas após o
avanço das técnicas do DNA recombinante, que permitiu o desenvolvimento de
organismos transgênicos, cientistas propõe tecnologias mais poderosas, capazes
de sintetizar genomas inteiros. Trata-se de escrever à sua maneira um código
genético que será lido por um computador e a informação gerada será reproduzida
em reações químicas. O resultado é um novo DNA gerado artificialmente, que
formará um indivíduo que não tem pais.

Os experimentos são
conduzidos em empresas fundadas por pesquisadores anteriormente vinculados a
universidades e com o apoio financeiro do governo e corporações foram montados
laboratórios com equipamentos de última geração.  Os grupos de pesquisa envolvem especialistas
nos ramos da genética, microbiologia, biologia molecular e bioética. Um exemplo
é o J. Craig Venter Institute (JCVI), que desenvolve uma série de trabalhos
para o desenvolvimento da ciência genômica e em publicações mais recentes anunciou
a conclusão de uma pesquisa inovadora: a criação da primeira bactéria com
genoma sintético. A célula sintética é chamada Mycoplasma
mycoides
JCVI-syn1.0 e é a prova de de que genomas podem ser projetados
no computador, quimicamente feitos em laboratório e transplantadas para uma
célula receptora para produzir uma célula auto-replicante
nova controlada apenas pelo genoma sintético. Segundo os pesquisadores é uma tecnologia poderosa, que
pode ser comparada com a energia nuclear e poderá salvar o planeta. Essas
bactérias poderão formar novas indústrias e gerar energia limpa, ajudar a
recuperar ambientes contaminados, fornecer novos medicamentos, antivirais,
vacinas e até novos alimentos.

Foi um avanço significativo da engenharia genética e asism como todo avanço
tecnológico, repercurtiu em todo o mundo. O governo dos Estados Unidos, que
financiou a pesquisa, chegou a cogitar se era mais seguro mantê-la como segredo
militar ou divulgá-la para que a sociedade se posicione. Sob o mandado de Bush,
resolveram publicar. Alguns religiosos não se opuseram, mas se  preocuparam como a maneira como essa
tecnologia será usada. A revista Nature
questionou oito especialistas em biologia sintética sobre as implicações da
nova descoberta na ciência e sociedade. Dentre os entrevistados estão um geneticista,
um especialista em evolução molecular  e professores
de filosofia e humanidades, física, bioética, engenharia biomédica, engenharia
biomolecular e biotecnologia e bioengenharia. Trasncrevemos algumas:

 

“[...] Primeiro, nós temos agora uma oportunidade sem
precedentes
para
aprender sobre a vida. Ter o controle completo sobre
a informação em um genoma fornece uma oportunidade fantástica para
sondar os restantes segredos de como ele funciona. Segundo, mesmo as mais
simples formas de vida têm propriedades emergentes imprevisíveis. Estas
propriedades são freqüentemente úteis e queremos controlá-lass, mas sua
imprevisibilidade apresenta um enigma para a engenharia tradicional. Nós devemos
desenvolver e aperfeiçoar métodos de engenharia de emergência.Terceiro, esses
novos poderes criam novas responsabilidades. Ninguém pode ter certeza sobre as
conseqüências
 de fazer novas formas de
vida, e devemos esperar o inesperado e as não
intencionais. Isto exige inovações fundamentais
no
pensamento de precaução e análise de risco. Finalmente, um genoma prótese
apressa o dia quando as formas de vida poderão ser feitas inteiramente a partir
de materiais não-vivos. Como tal, ele vai revitalizar eternas perguntas sobre o
significado da vida : - O que é, porque é importante e qual o papel os seres
humanos devem ter no seu futuro? “
(Mark Bedau, professor de filosofia e humanidades,
Rede College, Oregon).

 

“[...] O trabalho do JCVI pode até ajudar na
ligação da química à história natural. As seqüências dos
genomas de ancestrais extintos espécies
de Mycoplasma pode ser inferida a partir das
seqüências das diversas formas modernas, incluindo M. capricolum, M. genitalium e M. mycoides - os três que Venter e seus colaboradores utilizaram
no processo de síntese. A nova tecnologia sintética
permite a ressurreição de tais bactérias antigas,
cujo comportamento deve nos informar sobre
ambientes planetários e ecológicos 100 milhões de
anos atrás. Algum dia, talvez até mesmo a ciência
planetária pode se beneficiar da síntese”
(Steven
Benner, Fundação para Aplicação da Evolução Molecular,  Gainesville, Florida).

 

 

“No que diz
respeito aos regulamentos para impedir a liberação de formas de vida perigosas
feitas de maneira semelhante para o novo Mycoplasma ou por outros meios, são
dois cenários: bioerror e bioterrorismo. Para evitar bioterrorismo, realistas ecossistemas
de laboratório devem ser padronizados para testar a capacidade de novos genomas
sintéticos a persistir ou detectar genes de câmbio para o  estado selvagem “
(George Church, Geneticista, Harvard Medical School).

 

Assim como todo avanço
tecnológico, o projeto de Craig Venter levantou polêmica e é de grande
importância a divulgação dessa temática para que as pessoas se posicionem.
Quais poderão ser as conseqüências de sua aplicação?  Estarão os seres sintéticos preparados para
as condições naturais? Como eles se sairão na competição por recursos, serão
rapidamente predados por não terem sofrido pressões seletivas, ou se tornarão
potenciais predadores? Quais as implicações do surgimento de um novo ramo da
árvore da evolução, sob o controle humano? Essas são algumas questões que
provavelmente instigam a sociedade nesse momento.  

As possíveis aplicações
da tecnologia são interessantes, mas se sintetizar novos organismos é mesmo
necessário, frente à imensa diversidade biológica é algo realmente contestável.
Além disso, é importante pensar a cerca da aplicabilidade da técnica. Quem terá
acesso? A que preço?

Estamos tratando de uma
questão ética, delicada e controversa. É preciso avaliar com cautela a razão
risco/benefício dessa nova descoberta antes de decidir qual papel o ser humano
deverá assumir no controle da vida na Terra.

 

REFERÊNCIAS

 

BEDAU, M. et al. Life after the synthetic cell. Opinion. See Editorial, page 397, and comment online
at

go.nature.com/AwYeob. Nature |Vol 465|27 May 2010.

 

Discovery
Channel - Vida Sintética
Disponível em: http://www.youtube.com

 

 First Self-Replicating,
Synthetic Bacterial Cell
. J. Craig Venter Institute. Rockville MD and San Diego,
CA—May 20, 2010. Disponível em: http://www.jcvi.org/.

 

J. Craig Venter Institutehttp://www.jcvi.com



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 23:52
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