Este é um Blog educacional, dedicado a discussões acadêmicas sobre a Ecologia Evolutiva. Contém chamadas específicas relacionadas às disciplinas de Ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto, e textos didáticos gerais.
Terça-feira, 28 de Setembro de 2010
Debate sobre seleção de parentesco no SociobioloDIA

Postei um debate sobre a importância e abrangência da Seleção de parentesco no SociobioloDIA (http://sociobiolodia.blogs.sapo.pt/), que me foi oferecido pelo Rogério Parentoni Martins, e desenvolvido por ele e o Lorenzo Zanette. Dê uma olhada!

 

Abraço

 

Sérvio



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 20:58
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Primeira prova Ecologia de Populações

PARTE II – Primeira prova de Ecologia de Populações.

- Leia o artigo PARKER ET AL. 2010. Host behaviour and exposure risk in an insect-pathogen interaction. Journal of Animal Ecology. 79: 863-870.

- Desenvolva/responda os seguintes itens.

1)      O artigo dispõe suas hipóteses e predições de uma maneira mais informal do que você está aprendendo. Tente re-escrever quais seria as hipóteses e predições deste trabalho.

2)      Quais são as variáveis explicativas testadas experimentalmente.

3)      Qual é o grande estímulo para o desenvolvimento deste trabalho?

4)      Este trabalho só foi possível devido à existência de trabalhos prévios, que descreviam parcialmente a biologia desta infecção de lagartas por baculoviroses. Se você fosse dar continuidade a este estudo, abordando questões de ecologia de populações, que hipótese você testaria e como você delinearia um experimento para testá-la?



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 20:57
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Domingo, 26 de Setembro de 2010
Em resposta a "Um mundo livre de mosquitos", Nature

 

Um artigo recente, e arrongante, saiu na Nature, discutindo a possibilidade da erradicação dos mosquitos da face da Terra. Terrivelmente equivocado, o único consolo a ainda ver cientistas que acham que existam possibilidades de futuro em um mundo evolutivamente desconfigurado (e desfigurado em rápida velocidade, o que nos impede a chance de continuidade via seleção natural), é que o mesmo resultou em uma avalanche de críticas no site da revista. Engrossei estas críticas, e reproduzo o comentário abaixo:

 

"Published online 21 July 2010 | Nature 466, 432-434 (2010) | doi:10.1038/466432a

News Feature

Ecology: A world without mosquitoes

Eradicating any organism would have serious consequences for ecosystems — wouldn't it? Not when it comes to mosquitoes, finds Janet Fang.

 

 

 

A crítica:

William D. Hamilton died by malaria which he acquired while trying to join evidences for his final theory on evolution of sex and diseases. Since the 80’s until his death, his intellect was pretty devoted to demonstrate how strong is the soft-selection pressure caused by diseases and parasitism on the evolution of genetic variability, and its intriguing mechanism, the sex! More than killing people, diseases act by weakening some genotypes relatively to the others. Hence, the selection strength of a disease is directly proportional to the frequency and density of the vulnerable genotypes (what is then called soft-selection). Survival and demographic responses to a tragic epidemic event depends then on the rare resistant/tolerant host genotypes remaining in nature and kept by sexual reproduction.
Considering this scenario, it is absolutely certain that the vertebrate species have had evolved fast immunological responses to an uncountable invasive microorganisms that take daily contact with our circular system by mosquito bites. Tolerance, resistance and vulnerability are balanced accordingly to the strength of a presently acting selective pressure. As a consequence, mosquito transmitted diseases, such as malaria, dengue, etc, are likely to be an extreme minority from a huge number of microorganisms species which try to invade and colonize vertebrate bodies along the evolutionary time.
No doubt that it is just beyond naivety to believe our technology could eradicate diseases as efficiently as our body immunologic system can. The question is, are we going to be more vulnerable to diseases by having not contact with bloody-sucking organisms along the generations? Do we have how to dimension the relative importance of mosquito interactions to the evolutionary maintenance of vertebrate immunological response? One should not forget that allergy is more likely to manifest among those that grew up away from infections and dirty hands! Would we be claiming a germ-free rat life style for our future generations? Sounds horribly risky to me!



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 15:05
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Novo blog para divulgação científica e debates livres à luz da sociobiologia

http://sociobiolodia.blogs.sapo.pt/  - Textos de divulgação científica e reflexões livres, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista: uma análise sociobiológica aplicada ao dia a dia, senão meras divagações!

 

Confiram!

 

Abraços

 

Sérvio



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 03:39
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Sábado, 25 de Setembro de 2010
“TORNAGHI, Alberto. O que é cultura digital” – e o risco da perda de introspecção criativa e do revolucionário individual?

O buletim 10 “Cultura Digital e Escola”, da TV Escola, traz um texto de Alberto Tornaghi, o qual discute de fato traz várias questões importantes, mesmo que de amplo conhecimento. A visão de uma cultura digital decorrente da abertura de textos e idéias é um fato recente mas de grande impacto acadêmico. Nas ciências, ainda impera a necessidade de um crivo de três avaliadores anônimos, além do editor para que uma revista de reconhecimento internacional aceite um trabalho científico. Mesmo assim, a grande Física já tem seus jornais abertos, onde a publicação é de inteira responsabilidade do autor, e do leitor ao avaliar sua importância. Este é o princípio do “referee”, ou avaliador, reduzido ao referee-leitor. Entretanto, na ciência este modelo não decolou, pois fica o enorme trabalho de ler e criticar severamente cada trabalho lido. Diante do crivo editorial, mesmo que a leitura crítica ainda seja mandatória, há a certeza de que alguma análise prévia valida o texto em leitura como boa ciência.

            Entretanto, esta formatação técnica e cirúrgica relacionada às publicações científicas não prevalece nas outras etapas da construção do conhecimento. Cada vez mais cientistas se agrupam em “chats” para discutir metodologia, análises de dados, ou mesmo para compartilhar dados e gerar trabalhos mais abrangentes. O grande amparo da cultura cibernética na ciência talvez seja mesmo a moderna filosofia de compartilhamento público de dados, e manutenção da privacidade/propriedade das idéias apenas.

            Já na esfera educacional e de divulgação, a norma a valer e a rapidamente mudar o mundo é de fato o da auto-exposição. Este blog, e todos os outros, não são senão o próprio crivo do autor, solitário e extremo, um extremo oposto dos wikis, provavelmente. De um lado, seu valor de critério e conhecimento autoral, não referendado por ninguém. Do outro, nos wikis, o crivo constante e extremo da rede de usuários e construtores. Acredito bem que o modelo de referees clássico na ciência esteja no meio do caminho, e como solução mediana e consagrada, lá deverá permanecer e se otimizar mediante às novas ferramentas.

            Destas novas ferramentas, o texto de Alberto Tornaghi trouxe algumas novidades técnicas bem como fatos novos para minha reflexão. A construção do BrOffice coletivamente foi tão inesperado quanto a maratona para o open office cingalês. Na verdade, nem tanto, pois já utilizamos uma fantástica ferramenta estatística aberta e construída/revista coletivamente, que é o programa R.

            Por outro lado, exclusivamente sociobiológico, fica a pergunta de até onde isto tudo é novo, ou até aonde o mundo vai só mais uma vez se adaptando ao nosso “template” educacional inato. A experiência espetacular do Sugta Mitra de abrir uma tela de “touch screen” e obter em uma rua pobre na Índia um aprendizado extraordinário reflete isto. De fato, a capacidade biológica, portanto inata, de aprender, pode se manifestar mais livremente com menos bagagem cultural/tecnológica. Após aprender uma série de ferramentas, ficamos enrijecidos e menos aptos para novas ferramentas, enquanto que as crianças analfabetas estão plenamente abertas à descoberta. O mundo animal, em especial animais sociais, está cheio de experiências cognitivas coletivas relacionadas à novidades no ambiente.

          Vivemos momentos de enormes e rapidamente mutantes novidades! Só sobreviveremos nos abrindo ao compartilhamento de informações, ao aumento da humildade e resignação, à socialização de nosso desenvolvimento pessoal.

Paradoxalmente, estas atitudes nos levam ao alcance de uma ferramenta que claramente pode nos lançar de cabeça ao individualismo e à (falsa) sensação de autonomia existencial, por um lado. Por outro, tão perigoso lado quanto o anterior, nos distancia da introspecção criativa, necessária para a geração autoral de algumas formas de conhecimento, e de aprendizado também.

         Uma sentença logo ao final do texto, entusiasta, ilustra este risco de abordagem:

                          “Hoje se proíbem celulares na escola. Em breve, chamaremos

                           de tolos os que não viam neles um objeto de conectar pessoas 

                           para que saibam e possam mais.”

        Será que não precisamos desconectar para gerar, para expressar nosso pensamento individual, distante do coletivo, que sempre é contaminado pelos preconceitos e recalques sociais? Será que se radicalizarmos nesta “coletivação” da educação não estaremos calando, ou formatando os pensamentos destoantes, revolucionários, e criadores do novo? Onde estará o espaço para o real e saudável individual neste novo formato? Tornaghi não parece se importar tanto com isto em seu brilhante texto, porém.

Por mais fabuloso que o novo e quase infinito potencial de compartilhamento de conhecimento e informação pela cultura cibernética seja, é importantíssimo não perdermos o EU. É preciso lembrar que esta é só uma re-edição da revolução que foi a invenção da gráfica. Assim como os livros, ainda em voga e longe se tornarem obsoletos, todas estas ferramentas de acesso vão esbarrar na mesma parede: a impossibilidade do sujeito de absorver e refletir sobre todo o conhecimento humano disponível! Assim, por um lado ganhamos com a chance de utilizar a experiência em tempo real do outro, e seu aprendizado, uma trilha que, via a colaboração, não teremos que trilhar toda ou sozinhos ao menos. Por outro, não podemos permitir que deixemos de ser este “outro” com algum rico conhecimento para compartilhar! Assim, a busca pela integração no mundo real (e não com o tempo real) via algo que sabemos e botamos na mesa de trocas da vida não pode deixar de existir primariamente. Ainda mais, não podemos permitir o risco da perda de foco e concentração na produção intelectual introspecta, autoral, revolucionária e individualista!



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 13:48
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1° Encontro Regional de Educação em Biologia da UFOP - Divulgando

1° Encontro Regional de Educação em Biologia da UFOP (EREBIO UFOP)

 

O 1° Encontro Regional de Educação em Biologia irá reunir educadores e alunos de Licenciatura em Ciências Biológicas para discutir diretrizes, apresentar e conhecer projetos na área de ensino, pesquisa em educação e extensão em Biologia.

 

O Encontro será realizado nos dias 25, 26 e 27 de novembro (data a ser confirmada) e contará com palestras, mini-cursos e apresentações de trabalhos de alunos e profissionais da área. Os participantes também terão a oportunidade de apresentar seus trabalhos.

 

Para maiores informações, enviar um e-mail para erebioufop@yahoo.com.br

 

As inscrições também deverão ser feitas por meio desse endereço.

 

Contato para informações é a aluna Denise Ferreira Diniz Rezende

(31) 9901-0208



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 13:46
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
Sugestões para leitura e para seminários de estudo de caso.

Alunos,

 

Evolução

Deixei na minha pasta dois artigos intimamente relacionados com o que estamos estudando sobre evolução de pressão seletiva tipo "soft" causada por doenças e seleção sexual. É uma leitura interessante e recomendada, mas pode também ser considerado para um dos seminários de estudo de caso:

 

Parker et al. 2010. Host behaviour and exposure risk in an insect-pathogen interaction. Journal of Animal Ecology 79: 863-870.

 

Chargé et al. 2010. Male health status, signalled by courtship display, reveals ejaculate quality and hatching success in a lekking species. Journal of Animal Ecology 79: 843-850.

 

 

Populações

 

Encontra-se na minha pasta do xerox o seguinte artigo para leitura futura. O texto não é fácil, mas é preciso que o aluno na graduação já tome conhecimento de algumas interfaces inevitáveis da ecologia com a estatística/matemática, sem as quais perguntas importantes não serão respondidas.

 

Reid et al. 2010. Parent age, lifespan and offspring survival: structured variation in life history in a wild population. Jounal of Animal Ecology 79: 851-863.

 

 



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 13:56
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
O bem, o mal, e a biologia

Queridos alunos,

 

Em continuidade ao nosso debate da aula passada, seguem algumas referências a pensadores que contrastaram em sua forma de ver o homem e sua natureza interna. Eu diria que pequenos Rousseaus  e Hobbes me manifestaram em sala na segunda feira. Importante perceber, neste embate mais interno que científico, algumas curiosidades interessantes.  Primeiro, de qualquer lado que estivessem, estes pensadores eram preocupados com o bem comum. Hobbes, que aclamava pelo controle do mal do homem (guerra de todos contra todos - Bellum omnia omnes), porém, era anti-naturalista, e pregava a sociedade como forma de combater... a nossa biologia cruel. Já Rousseau, ou mais contemporaneamente, Thoreau (um dos grandes mitos de base do movimento hippie), criam em uma biologia amena (o bom selvagem), e no altruísmo na base de nossos instintos. Contrários portanto à sociedade, pregavam a re-integração do homem com a natureza.

 

O que claramente é um paradoxo é que o temor a uma biologia cruel fundamentou pensadores que dão sustentação aos modelos capitalistas mais cruéis, antropofágicos, e degradantes de nossos recursos naturais!

 

Ao contrário, os pensadores que se apoiavam em um bem natural ligado à própria biologia do homem, e desapaixonados pelos aspectos cruéis da sobrevivência das espécies, fundamentaram todos os movimentos sociais contemporâneos que, de certa forma, nos deram alguma chance de sobrevivência na terra.

 

Sem a visão destes homens, o “ecologismo” não teria tido o alcance que teve, somente pautado na ciência. De fato, a pesquisa científica em prol do Meio Ambiente é hoje uma poderosa arma para a proteção de nossos recursos, sua sustentabilidade, e de um conceito de qualidade de vida que transcende o conforto tecnológico e se assenta na preservação da vida na Terra. Porém, a força política que leva os recursos financeiros para esta área do conhecimento surgiu da contra cultura. Foi neste caminho que cientistas alternativos fizeram as denúncias mais sérias sobre a degradação ambiental nos Estados Unidos (Silent Spring, Rachel Carson, 1962 e The Pesticide Conspiracy, Roberth van den Bosch 1980), em livros, pois as revistas científicas não queriam divulgar dados contra a revolução verde!

 

Afinal, se creres na essência do bem, o bem fará pautado na biologia! Se na essência o mal, vai temer e distanciar de si mesmo. Será que este impasse inesperado já aponta para o bom instinto? Será que salvaríamos afinal aquela velhinha, devido à genética do bem? Ou, egoisticamente, nosso cérebro criou esta percepção de um bem, que claramente tem consequências abrangentes na nossa sobrevivência?

 

Somos a nossa própria “Matrix”, imaginando o bem e escondendo os genes que nos comandam? Seria a surpresa de ver alguém i – ou amoral, cometendo crimes terríveis ou violências de guerra, tão paralisantes à imprensa, por nos depararmos com alguém livre da máscara da co-existência pacífica? O mal é tão explicável por diferentes hipóteses, de fato.

 

Porém, o que explicaria o fascínio, a emoção e o conforto de presenciar ou experimentar a bondade alheia? Improvável de ser só imaginação, ou resquício do afeto lactante materno... há de haver mais!

 

Agora, que haja o tão perceptível BEM, será então ele biológico?



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 05:03
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A filosofia do bom selvagem, ou somos mais que biologia? O iluminismo e a desobediência civil

Para entender - extraído do Wikipedia

Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28 de Junho de 1712Ermenonville, 2 de Julho de 1778) foi um filósofo, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata suíço. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, Rousseau é também um precursor do romantismo.

Ao defender que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem, Rousseau inspirou todos os movimentos que visavam uma busca pela liberdade. Incluem-se aí as Revoluções Liberais, o Marxismo, o Anarquismo etc.

Sua influência se faz sentir em nomes da literatura como Tolstói e Thoreau, influencia também movimentos de Ecologia Profunda, já que era adepto da proximidade com a natureza e afirmava que os problemas do homem decorriam dos males que a sociedade havia criado e não existiam no estado selvagem. Foi um dos grandes pensadores nos quais a Revolução Francesa se baseou, apesar de esta se apropriar erroneamente de muitas de suas ideias.

A filosofia política de Rousseau é inserida na perspectiva dita contratualista de filósofos britânicos dos séculos XVII e XVIII, e seu famoso Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens pode ser facilmente entendido como um diálogo com a obra de Thomas Hobbes.

 

Henry David Thoreau (Concord, 12 de julho de 1817Concord, 6 de maio de 1862[1]) foi um autor estadunidense, poeta, naturalista, ativista anti-impostos, crítico da idéia de desenvolvimento, pesquisador, historiador, filósofo, e transcendentalista. Ele é mais conhecido por seu livro Walden, uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza, e por seu ensaio Desobediência Civil uma defesa da desobediência civil individual como forma de oposição legítima frente a um estado injusto.

Os livros, ensaios, artigos, jornais e poesias de Thoreau chegam a mais de 20 volumes. Entre suas contribuições mais influentes encontravam-se seus escritos sobre história natural e filosofia, onde ele antecipou os métodos e preocupações da ecologia e do ambientalismo. Seu estilo de escrita literária intercala obsevações naturais, experiência pessoal, retórica pontuada, sentidos simbolistas, e dados históricos; ao mesmo tempo em que evidencia grande sensibilidade poética, austeridade filosófica, e uma paixão "yankee" pelo detalhe prático.[2] Ele também era profundamente interessado na idéia de sobrevivência face a contextos hostis, mudança histórica, e decadência natural; ao mesmo tempo em que buscava abandonar o desperdício e a ilusão de forma a descobrir as verdadeiras necessidades essenciais da vida.[2]

Foi também um longevo abolicionista, realizando leituras públicas nas quais atacava as leis contra as fugas de escravos evocando os escritos de Wendell Phillips e defendendo o abolitionista John Brown. A filosofia de Thoreau da desobediência civil influenciou o pensamento político e ações de personalidades notáveis que vieram depois dele, filósofos e ativistas como Liev Tolstói, Mahatma Gandhi, e Martin Luther King, Jr.

Thoreau é por vezes citado como um anarquista individualista.[3] Ainda que por vezes sua desobediência civil ambicione por melhorias no governo, mais do que sua abolição – "Não peço, imediatamente por nenhum governo, mas imediatamente desejo um governo melhor"[4] – a direção desta melhoria é que ambiciona o anarquismo: "'O melhor governo é aquele que não governa;' então os homens estarão preparados para isso, este será o tipo de governo que eles terão.”[4]



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 05:00
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A filosofia do bom egoísmo ou biologia pura? Leviatã.

Para entender - extraído do Wikipedia

Thomas Hobbes (Westport, 5 de abril de 1588Hardwick Hall, 4 de dezembro de 1679) foi um matemático, teórico político, e filósofo inglês, autor de Leviatã (1651) e Do cidadão (1651).

Na obra Leviatã, explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a necessidade de governos e sociedades. No estado natural, enquanto que alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais por forma a estar além do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos (Bellum omnia omnes). No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse próprio, de acabar com a guerra, e por isso formam sociedades entrando num contrato social.

De acordo com Hobbes, tal sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o suficiente da sua liberdade natural, por forma a que a autoridade possa assegurar a paz interna e a defesa comum. Este soberano, quer seja um monarca ou uma assembleia (que pode até mesmo ser composta de todos, caso em que seria uma democracia), deveria ser o Leviatã, uma autoridade inquestionável. A teoria política do Leviatã mantém no essencial as ideias de suas duas obras anteriores, Os elementos da lei e Do cidadão (em que tratou a questão das relações entre Igreja e Estado).

Thomas Hobbes defendia a ideia segundo a qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado. Para ele, a Igreja cristã e o Estado cristão formavam um mesmo corpo, encabeçado pelo monarca, que teria o direito de interpretar as Escrituras, decidir questões religiosas e presidir o culto. Neste sentido, critica a livre-interpretação da Bíblia na Reforma Protestante por, de certa forma, enfraquecer o moada pelo estudioso Richard Tuck como uma resposta para os problemas que o método cartesiano introduziu para a filosofia moral. Hobbes argumenta, assim como os céticos e como René Descartes, que não podemos conhecer nada sobre o mundo exterior a partir das impressões sensoriais que temos dele. Esta filosofia é vista como uma tentativa para embasar uma teoria coerente de uma formação social puramente no fato das impressões por si, a partir da tese de que as impressões sensoriais são suficientes para o homem agir em sentido de preservar sua própria vida, e construir toda sua filosofia política a partir desse imperativo.

Hobbes ainda escreveu muitos outros livros falando sobre filosofia política e outros assuntos, oferecendo uma descrição da natureza humana como cooperação em interesse próprio. Ele foi contemporâneo de Descartes e escreveu uma das respostas para a obra Meditações sobre filosofia primeira, deste último.



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 04:55
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a farsa legalista que levará à destruição da mata seca de Minas Gerais.

(extraído do buletim ifnormativo da AMDA - 1/9/2010
Na luta pela Mata Seca

Promulgada no dia 04 de agosto, a Lei 19096/10, que permite desmatamento de até 70% da Mata Seca no norte de Minas, foi aprovada pela ALMG sem participação efetiva da sociedade e sem levar em conta conseqüências desastrosas para a biodiversidade de Minas e do Brasil. Representando a bancada ruralista, os deputados estaduais Gil pereira (PP), Ana Maria Resende (PSDB), Carlos Pimenta (PDT), Paulo Guedes (PT) e Ruy Muniz (DEM), responsáveis pela aprovação da Lei, apontam que o desmate justifica-se pela necessidade de pequenos agricultores por mais terras, para que possam sobreviver no norte do estado. No entanto, estudos e pesquisas recentes indicam que a nova Lei em nada beneficia esses agricultores, mas sim, grandes latifundiários na região.

Por isso, em movimento contrário à Lei recém promulgada, a Amda, juntamente com outras entidades ambientalistas, pesquisadores nacionais e internacionais, vem buscando mostrar à sociedade o que está por trás da Lei 19096/10, suas drásticas conseqüências para o meio ambiente e, consequentemente, para moradores da região. 

Em entrevista à Amda, Mário Marcos do Espírito Santo, professor do Departamento de Biologia da Unimontes e responsável pelo grupo de trabalho que pesquisa os níveis de desmatamentos florestais no Norte de Minas, esclarece alguns pontos chaves sobre a questão. 

O professor Mário, juntamente com Francisco Mourão, biólogo e membro do conselho consultivo da Amda, e outros representantes de entidades nacionais e internacionais, participam de mesa redonda sobre o tema, aberta ao público, que acontece nesta sexta-feira, 3 de setembro, na UFMG. Para mais informações, veja os links ao final da entrevista.

O principal argumento para defender a exclusão da Mata Seca do bioma Mata Atlântica baseia-se na idéia errônea de que pequenos agricultores precisam de mais terras para cultivo, para que possam sobreviver  e permanecer na área rural. Qual é a real situação por trás desse argumento? 

Certamente, existem pequenos agricultores no norte de Minas Gerais, assim como em diversas outras partes do país, que necessitam de terras para cultivar, incluindo numerosas populações tradicionais, como vazanteiros e quilombolas. Entretanto, melhorar as condições de vida desses produtores não é o real motivo de tamanha pressão política. Essa afirmação é baseada na realidade rural do norte de Minas, que é de extrema concentração de terras em grandes latifúndios. Os dados do Censo Agropecuário do IBGE, de 2006, mostram que fazendas com mais de mil hectares ocupam 51% da área rural e estão nas mãos de apenas 1,5% dos proprietários. Em contrapartida, estabelecimentos de até 10 hectares representam 44% das propriedades, mas ocupam apenas 2,8% das terras no norte do estado. Assim, a maior parte da área a ser desmatada com a mudança na legislação pertence a grandes latifundiários. Não há nenhum estudo socioeconômico indicando que a liberação de desmate vá minimizar as graves desigualdades sociais na região.

O Inventário Florestal de Minas Gerais indica que 52% da cobertura original da Mata Seca no Norte de Minas já foram perdidos. Segundo mapeamento recente da Universidade Estadual de Montes Claros, 11% dessa cobertura foram devastados entre 1986 e 2006. Desde então, a Mata Seca está sob regime de proteção mais severo, previsto pela Lei Federal 11.428/2006 (a Lei da Mata Atlântica), o único instrumento legal até o momento, que conseguiu segurar um pouco a destruição do ecossistema. Sem essa proteção especial prevista pela Lei Federal, qual é a perspectiva para o futuro da Mata Seca? 

Os dados apurados por este estudo indicam uma situação preocupante. A taxa de desmatamento de 11% significa uma perda de cerca 200.000 campos de futebol em 20 anos. Vale ressaltar que, nesse período, as matas secas estiveram protegidas como parte da Mata Atlântica por 13 anos (1993 a 2006). Uma boa parte da área perdida está no município de Jaíba e é conseqüência da expansão do Projeto Jaíba. O segundo município com mais área perdida foi Juvenília. É necessário investigar mais a fundo o que causou esse desmatamento, mas é provável que seja uma conseqüência do carvojeamento ilegal. Nesse ritmo, em 100 anos, os únicos remanescentes de Mata Seca no norte de Minas Gerais estarão em unidades de conservação.

A inclusão da Mata Seca no mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica foi baseada em estudos científicos de diversos botânicos, brasileiros e estrangeiros, levando em conta a distribuição de espécies arbóreas e, consequentemente, importância desse ecossistema para preservação da biodiversidade que nele ocorre. Em termos práticos, o que significa, para a conservação da biodiversidade, a promulgação da Lei 19096/10?

Realmente, existem várias espécies da Mata Seca que são típicas de Mata Atlântica, justificando sua inclusão nesse bioma. A Mata Atlântica está extremamente ameaçada, tendo perdido cerca de 95% de sua cobertura original. Em Minas Gerais, a situação não é diferente e o estado foi o campeão do desmatamento no período entre 2008-2010, segundo dados da SOS Mata Atlântica. A maior parte desse desmatamento ocorreu no Vale do Jequitinhonha, em áreas de Mata Seca que também é típica daquela região. Assim, a perda de habitats para a flora e a fauna representa uma grave ameaça à biodiversidade brasileira, principalmente nas pouco estudadas matas secas brasileiras.

Em época de eleições, em que muito se fala sobre educação, saúde e segurança e pouco sobre meio ambiente, principalmente no que se refere à conservação da biodiversidade, quais têm sido as ações da academia para informar e alertar a sociedade sobre o perigo iminente que está correndo a Mata Seca?

As universidades realmente têm que se aproximar mais da sociedade, popularizar o conhecimento produzido na academia para um público mais amplo, que poderá exercer pressão política para que leis importantes não sejam aprovadas de forma arbitrária. Nesse sentido, organizamos um evento na Unimontes em julho de 2010 (III Workshop sobre Políticas Públicas e Processos Socioambientais na Mata Seca Norte-Mineira: Desafios para a Conservação). Além disso, será realizada no dia 03 de setembro, na UFMG, em Belo Horizonte, uma mesa-redonda com o tema “Ocupação, Uso Sustentável e Preservação das Matas Secas em Minas Gerais”. Nesse evento, estarão pesquisadores que trabalham com Matas Secas no Brasil e em outros países, além de profissionais ligados ao meio ambiente e desenvolvimento sustentável. O objetivo é compartilhar experiências e debater possíveis alternativas para o norte de Minas Gerais, com ampla participação pública.

A Amda vem denunciando que o principal objetivo da Lei 19096/10 é beneficiar grandes proprietários rurais do Norte de Minas e empresas de ferro gusa. Os proprietários querem derrubar a floresta, fabricar carvão e plantar capim. As empresas querem obter carvão vegetal barato para seu processo industrial. Qual sua opinião a esse respeito?

A análise dos dados do Censo Agropecuário do IBGE mostra que a maior parte das matas secas no norte de Minas está em grandes latifúndios. Assim, serão os grandes proprietários que lucrarão com seu desmatamento e a venda do carvão resultante. Não sou contra a expansão da pecuária no norte do estado, mas acredito que os produtores rurais podem adotar práticas mais sustentáveis, como rotação de pastagens, manutenção de árvores, erradicação do manejo com fogo e do uso de agrotóxicos. Além disso, é necessário avaliar a real necessidade de abertura de novas áreas de pastagem. A produção de bovinos pode crescer com o aumento da produtividade da pecuária nas áreas já existentes e com a recuperação de áreas já degradadas e abandonadas. As siderúrgicas que utilizam carvão de matas nativas também vão se beneficiar com a nova lei, uma vez que a oferta de carvão vindo de desmatamentos autorizados vai aumentar bastante. Esse tipo de prática já deveria ter sido abolido há muito tempo.

Deputados e entidades ruralistas do Norte de Minas alegam que a aprovação da Lei, ou seja, a derrubada de mais Mata Seca, gerará 200.000 empregos. Você tem informações sobre isso?

Essa informação tem sido divulgada em todo o estado, mas até agora não foi apresentado publicamente um estudo ou relatório que dê sustentação a esses números. Uma análise dos dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho indica que esses números estão superestimados. O número de empregos formais em áreas rurais no norte de Minas é de 21.000. A maior parte da população rural, cerca de 257.000 pessoas, está ocupada na agricultura familiar e em empregos informais. Esses trabalhadores estão distribuídos por toda a área do norte do estado, cerca de 126.000 km2, incluindo o Cerrado, Mata Seca e demais formações vegetais ali existentes. Assim, parece muito pouco provável que desmatar os 16.000 km2 que restam de Mata Seca nessa região vá dobrar o número de postos de trabalho. Vale ressaltar que grande parte das áreas a serem desmatadas serão destinadas à pecuária, uma das atividades que menos gera empregos, cerca de três a cada 100 hectares. Existe um entendimento por certos setores econômicos de que desmatamento gera riqueza de forma direta e imediata, o que não é verdade. É bastante provável que a liberação de desmate no norte de Minas Gerais leve a grande degradação ambiental e até desertificação, agravando o quadro de pobreza que é observado atualmente



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 04:50
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