Este é um Blog educacional, dedicado a discussões acadêmicas sobre a Ecologia Evolutiva. Contém chamadas específicas relacionadas às disciplinas de Ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto, e textos didáticos gerais.
Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Seminários de Evolução - extinção

Padrões de extinção e Extinções em massa

 

 

grupo: Andresa Maira da Fonseca, Erica Milena de Castro Ribeiro, Fernando Augusto

da Silveira e Josyellem Oliveira.

 

INTRODUÇÃO

 

            Como se sabe, a diversidade biológica cresceu e muito nos últimos 3,5 bilhões de anos. Organismos multicelulares só apareceram no registro fóssil 1,4 bilhões de anos atrás, sem explicação para a demora e depois se diversificam explosivamente a 600 milhões de anos atrás, no Cambriano recente.

            As plantas e animais invadem o meio terrestre a 450 milhões de anos (a atenção é focada em plantas e animais porque apesar de se reconhecer que houve vida antes do Cambriano, não se consegue calcular a sua diversidade).  Sepkoski (1992) afirma: “A básica observação aqui é que a diversidade não tem sido contínua. Esta não é uma conclusão que pode ser alcançada facilmente pelo primeiro principio evolucionário”.

            Lawton & May (1995) reconhecem que o período mais interessante tenha sido os dois primeiros bilhões de anos e que os microorganismos terem mantido e produzido o nível de oxigênio na atmosfera foi muito importante, mas mesmo assim mantém o foco em plantas e animais.

            Segundo Ridley (2004), a descoberta de que as espécies de extinguem é relativamente recentes na história humana: data do final do século XVIII e início do XIX. Bem antes dessa época, os fósseis já eram conhecidos, mas quando se encontrava um fóssil diferente de todas as espécies conhecidas, acreditava-se que poderia ter vivido em alguma região ainda não explorada do globo. Ao longo das descobertas de fauna e flora pelos continentes e oceanos, estas se tornaram cada vez mais bem-conhecidas durante o século XVIII. Ficando assim mais provável que algumas formas fósseis já não mais existissem. E, ao final deste século, vários naturalistas já aceitavam que alguns grupos de invertebrados marinhos, como os amonites, estavam extintos.

            Além disso, antes da década de 80, pouco se sabia sobre os mecanismos que controlariam as extinções globais verificadas ao longo do registro geológico. Várias idéias eram veiculadas, dentre ela a da década, de 50, que preconizava que as mortandades em larga escala estariam relacionadas com as ondas de radiações originadas de explosões supernovas, nas imediações do nosso sistema solar. Entretanto, estudos sugerem como causa das extinções dos grandes répteis ao final do Cretáceo o impacto de um bólido extraterrestre contra a Terra, abrindo caminho para posterior e investigações nessa linha. Entretanto, o estudo que mudou radicalmente as interpretações das extinções em massa foi o publicado por Luiz Alvarez e colaboradores na revista Science, em 1980, onde foram mostradas evidências geoquímicas do impacto de um corpo extraterrestre, que teria sido então o mecanismo para a extinção das espécies no intervalo Cretáceo-Terciário, cerca de 645 milhões de anos atrás

            Pela tabela 1.1 podemos perceber que a média de vida das espécies de plantas é em torno de5 a10 milhões de anos. O registro fóssil atual mostra cerca de1 a2% de plantas e animais que já viveram. Antes, a maioria esmagadora de espécies era marinha. Hoje, só 15% da diversidade estão no mar.

 

            Das cinco grandes extinções que ocorreram há milhões de anos atrás, as quatro primeiras extinguiram 65-85% dos animais marinhos. A quinta extinguiu 95% de espécies marinhas. Calculando-se usando dados desta tabela, conclui-se que de90 a96% das extinções ocorreu fora desses cinco grandes episódios (Lawton & May, 1995).

            Uma explicação para isso seria que o homem de milhões de anos atrás afetou muito menos a Austrália (achar algum exemplo de ação do homem) do que afeta hoje o Hawaí. O homem atualmente com toda sua tecnologia e forma de vida, causa muito mais estrago do que aquele homem nômade que retirava da terra o que precisava e partia em busca de mais alimentos. Já que, uma mudança do meio ambiente num passado não tão distante tem menos efeito na população do que uma mudança abrupta no passado distante, exemplo: glaciação. Os efeitos que são causados por uma glaciação são sentidos por muitos e muitos anos, enquanto uma mudança simples, recente, pode ter efeito menor.

A extinção faz parte do processo de evolução, já que os organismos são capazes de se adaptar às mudanças ambientais isto é, podem desenvolver as características necessárias, internas, externas ou de comportamento para sua sobrevivência. Por outro lado, aqueles organismos que não puderam adaptar-se se extinguiram. 

Entretanto, no passado, essas mudanças climáticas eram produzidas de forma relativamente lenta, ao longo de milhares ou milhões de anos. Ao longo dos últimos séculos, no entanto, uma única espécie, que ocupa um nicho enorme no planeta, o ser humano, provocou grandes alterações ambientais em períodos curtos ou depredou diversas espécies, limitando sua capacidade de reproduzir-se com a velocidade necessária para se manter o equilíbrio. Isto levou à extinção de milhares de espécies.  Isso representa um risco para a sobrevivência do planeta e dos seres vivos que nele habitam.

 

Cerca de 1,75 milhão de espécies foram nomeadas por taxonomistas até o ano 2000 (UNEP – WCMC). Assim, o número total de espécies foi recentemente estimado em 14 milhões(veja tabela ao lado), embora esta estimativa seja muito incerta, devido à falta de informações sobre o número de espécies de insetos, nematóides, bactérias e fungos.

 

 

 

Tabela 1.2: A UICN, criada em 1948, atua em mais de 100 países e conta com uma rede de mais de 10 mil especialistas. Há 40 anos a organização vem trabalhando na elaboração de listas de espécies oficialmente extintas ou em risco de extinção.

O número de espécies declaradas oficialmente extintas chegou a 27 nos últimos 20 anos, prova de que o ritmo atual de perda da biodiversidade é muitas vezes maior do que a taxa que prevaleceu por longos períodos geológicos. Estimativas baseadas nos fósseis já encontrados sugerem que a taxa de extinção anterior dos mamíferos e pássaros era de uma espécie perdida a cada 500 ou 1.000 anos (May, Lawton e Stork, 1995).

As espécies oficialmente extintas desde o início dos trabalhos da UICN, há 40 anos, chegam a 784, número que, segundo especialistas, deve ser acrescido de 65 outras espécies, que só conseguem sobreviver em cativeiro ouem cultivos.  Naprática, estão ameaçados 12% das espécies das aves; 23% das de mamíferos; 52% das de insetos; 32% das de anfíbios; 51% das de répteis; 25% das de coníferas e 20% das de tubarões e raias.

            Considera-se que hoje vivem 5-10 milhões de espécies. Juntando esse dado com os dos registros fósseis, estima-se que se extingue uma espécie por ano. Algumas considerações são importantes: espécies com estágio larval têm maior probabilidade de não se extinguirem, assim como aquelas que vivem em faixa de ampla abrangência. Isso corrobora a idéia de que os mais espalhados e abundantes têm maior chance de sobreviver que os restritos e raros.

            Mesmo para grupos bem estudados, a taxa de extinção é subestimada. Nas Ilhas Solomon (um país no Oceano Pacífico), por exemplo, supõe-se que 12 espécies de pássaros estejam extintas, mas só se tem certeza de uma. As taxas de extinção documentada e ameaçada variam entre localizações geográficas. Por exemplo: 27% das taxas para plantas vêm de populações endêmicas – quase não se tem dados sobre a África e América do Sul.

            Todas as projeções de taxas de extinção iminente são baseadas na relação de espécie/área, combinado com taxas estimadas de perda de área, desflorestamento ou outros processos: S=c.Az onde, S é o grupo taxonômico particular, A a área, c a constante e Z  está entre 0,2 e 0,3.

            Uma alternativa para pensar em extinção é não olhar para os dados, mas sim para os padrões de mudança recentes (Red Lists of Threatened Animals, 1990). Considerando isto: o número de espécies ameaçadas cresceu 30% de 1986 a 1990. Para pássaros e mamíferos essa abordagem implica na extinção de metade das espécies nos próximos 200-300 anos e para palmeiras nos próximos 50-100 anos. Lawton & May (1995) enfatizam que os dados do estudo foram compilados mais oportunamente do que sistematicamente, porém três diferentes metodologias apontam para tal. Há menores evidências para plantas e invertebrados.

            Nas extinções em massa vistas dos fósseis, espécies de menos abrangência tendem a sofrer mais. Bibby (1992) defende que seria prioridade identificar áreas endêmicas (identificou até 1995), 221 áreas endêmicas para pássaros, sendo que 168 são nos trópicos). Myers (1988) identificou 18 hotspots para plantas (principalmente nas florestas tropicais). Em resumo, ameaça e proteção são conceitos multidimensionais.

            Há pouca dúvida para os biólogos profissionais de que a Terra está atualmente confrontada com uma crescente perda de espécies que ameaça ser comparável às cinco grandes extinções em massa do passado geológico. Em 1993, o biólogo da Harvard E.O. Wilson estimou que a Terra esteja a perder alguma coisa da ordem de 30.000 espécies por ano – o, que rompe com a estatística ainda mais assustadora de cerca de três espécies por hora. Alguns biólogos começaram a sentir que a crise da biodiversidade é ainda mais grave e mais iminente que Wilson havia imaginado (Eldredge, N., 2005).

            Lawton & May (1995) ainda afirmam que muita da diversidade que herdamos terá desaparecido antes do homem se encaixar nela. O critério mais simples seria preservar o maior número de espécies. Mas isso teoricamente não é possível, então começam a discutir parâmetros para escolher qual espécie seria melhor salvar. E não chegam a um consenso, a não ser que isso só poderá ser feito se tivermos um método seguro de se obter os cálculos da biodiversidade local.

            Alguns podem se perguntar por que de tanto barulho em preservar se já houve cinco grandes extinções. Mas o caso é que essa seria única, pois não vem de causas naturais, mas sim das atividades de uma única espécie (que aliás ocupa cerca de 25 a 50% do território terrestre), o que a torna sem precedentes.            

 

PADRÕES DE EXTINÇÃO

 

            As extinções ocorrem quando os indivíduos de uma mesma espécie morrem sem deixarem nenhum descendente. Alguns paleontólogos dividem extinção em: extinção normal ou de fundo e extinção em massa (Futuyama, D. J., 2002). A primeira está ocorrendo o tempo todo enquanto espécies desaparecem à medida que evoluem e a segunda é aquela que há intervenção de fenômenos geológicos, provocando ou acelerando a extinção de espécies. Há ainda espécies em via de extinção, as quais estão sob uma possível extinção futura.

            Geralmente estima-se que mais de 99% das espécies que já viveram estão extintas, mas pouco sabe sobre as causas diretas da extinção (Rdley, 2004). Estas ficam ainda mais difíceis de entender ao regressarmos no tempo geológico, isso porque a qualidade das evidências depende de quão recente são os fósseis, já que em fósseis muito recentes, podemos ter evidências bem convincentes sobre a causa das extinções.

            Ecologistas têm documentado exemplos de extinção populacional por exclusão competitiva, na qual se observa que na natureza, se duas espécies similares tenderem a ocupar o mesmo nicho, a luta pela existência entre elas será intensa e resultará na extinção da espécie mais fraca. Outras causas naturais  (biológicas e não biológicas) podem induzir a extinção das espécies como, por exemplo, eventos físicos; vulcões; alterações climáticas; descida ou subida do nível do mar; aumento ou decréscimo da salinidade do mar; queda de um corpo extraterrestre; relações entre espécies; desenvolvimento de um vírus ou micróbio nocivo para espécies, entre outros.

            Nem todas as espécies têm os atributos necessários para se reproduzir num ritmo suficiente para permitir sua preservação, impedidas pelas numerosas fontes de mortalidade que afunilam todas as espécies. Dessa maneira, a extinção apresenta um papel importante na evolução da vida na Terra. Dois aspectos principais são sugeridos, dos quais o primeiro se refere à extinção como um fator que elimina as formas que estão fisiológica e anatomicamente menos eficientes para o ambiente atual que determinada espécie se encontra. Já no segundo aspecto, a extinção pode abrir nichos anteriormente ocupados por formas dominantes que impediam a evolução de suas espécies sucessoras. Uma das grandes histórias do registro fóssil é a da extinção dos dinossauros há pouco mais de 60 milhões de anos atrás e no período que se seguiu a tal extinção houve grande diversificação evolutiva dos mamíferos. Estes então ocuparam, em poucas dezenas de milhões de anos, a maioria dos habitats que eram ocupados anteriormente pelas espécies de dinossauros. Ou seja, a extinção dos dinossauros abriu caminho para a diversificação dos mamíferos (Rose, M., 2000).

            Além disso, deve-se tomar cuidado quando uma espécie morre e há uma relação de dependência com outra, porque esta também tende a morrer. Exemplo: plantas que “usam” pássaros para dispersão de sementes. Besouros britânicos quase não se extinguem e Coope (1978) afirma que isso deve ser relacionado ao fato de que eles têm motilidade, o que lhes permite acompanhar o ambiente em mudança. Comparativamente insetos são menos extinguíveis do que vertebrados. As diferenças na extinção provavelmente se dão pelos mesmos motivos que temos espécies k- e r-selecionados (Lawton & May, 1995).

            As extinções também podem ser induzidas pelo homem quando estes exploram e caçam animais visando lucro ou mesmo para coleções; introduzem espécies num novo meio; destroem habitats e ecossistemas por desmatamento, poluição, urbanizações, agricultura ou minério e; efeitos devastadores em ilhas.     Em alguns estudos, em vez de examinar as espécies individualmente, examinam-se os padrões de um grande número de espécies ou táxons mais elevados. E uma hipótese sugerida por Van Valen em 1973 para analise de padrões é a Hipótese da Rainha Vermelha, a qual faz alusão à observação da Rainha Vermelha em Alice Através do Espelho, no livro de Lewis Carroll: “aqui, veja você, é preciso correr tanto quanto se consegue para ficar no mesmo lugar”. Fazendo então uma analogia entre a corrida e a as mudanças coevolutivas (Ridley, 2004).

            Em tal hipótese um grupo de espécies que competem tem, em média, níveis balanceados de adaptação, e todas elas estão atrás de sua melhor condição possível. Em qualquer ocasião, uma espécie pode sofrer um ataque aleatório de má sorte reprodutiva e ser extinta. Ou seja, sugere uma causa biológica para as extinções em que as espécies se extinguem quando são sobrepujadas na competição com outras espécies, que fizeram progressos evolutivos. Porém, alguns biólogos não estão certos sobre quanto às taxas de extinção são freqüentemente constantes e nem mesmo, sobre o quão boa explicação é a coevolução Rainha Vermelha para as taxas de extinção (Ridley, 2004).

 

EXTINÇÕES EM MASSA

 

            Extinções em massa de espécies estão sempre ligadas a mudanças bruscas e radicais no meio ambiente. Se a temperatura aumenta, por exemplo, organismos tropicais fogem para as zonas temperadas, e os organismos polares podem ser dizimados. Mas se a temperatura resfria - se, uma migração inversa ocorre, com prejuízo para os organismos tropicais, agora aprisionados em uma armadilha mortal.

            A geologia tem registrado, desde o final do Pré -Cambriano (570 milhões  de anos atrás) até o Pleistoceno (2  milhões de anos atrás), cerca de nove extinções globais. Entretanto, em cinco ocasiões, elas ocorreram com magnitude, diferenciando - se das demais e dentre essas cinco, duas são ainda maiores.        Extinção em massa de menores proporções são registradas no final do Ordoviciano, no final do Devoniano e do Triássico e são utilizadas como marcadores de tempo.

            Segundo alguns autores, o Estágio Hirmantiano, (final do Ordoviciano) marca o que teria sido a primeira das cinco grandes crises do Fanerozóico Aproximadamente 25% das famílias e cerca de 60% os gêneros de organismos marinhos foram perdidos. Dentre suas vítimas estariam os trilobitas pelágicos, alguns graptozoários, braquiópodes e bivalves. Os fatores contribuintes foram grandes flutuações no nível do mar, que resultou de extensas glaciações, seguido por um período de grande aquecimento global. Vertebrados terrestres ainda não tinha evoluído. Este evento teria ocorrido em dois pulsos intercalados por uma fase de expansão caracterizada pela fauna Hirmantia, uma associação de braquiópodes e trilobitas de águas mais frias.

            A extinção do final do Devoniano Superior (≈ 364Mya), quando 22% das famílias marinhas e 57% dos gêneros marinhos, incluindo quase todos os peixes com mandíbula inferior,desapareceram. Um resfriamento global após impactos de meteoróides pode ter sido responsável pelas extinções. Anfíbios, os primeiros vertebrados terrestres, evoluíram no final do Devoniano, e eles sobreviveram a esta extinçãoem massa. Alémdisso, essa extinção apresenta um dos padrões mais seletivos de todas as crises bióticas. Os placodermes, grupo de peixes dominantes neste período, foram totalmente extintos. Os goniatites (uma ordem de moluscos) também foram muito afetados restando somente poucas espécies. Entre os trilobitas, somente um pequeno grupo teria resistido. Contudo, embora tenha sido uma crise rigorosa entre os organismos pelágicos, a crise Devoniana teria afetado muito pouco os organismos bentônicos como demonstrado no registro dos briozoários e corais rugosos e tabulados.

            Finalmente, a crise do final do Triássico e início do Jurássico foi um dos eventos mais notáveis resultando, 95% de todas as espécies (marinhas, assim como terrestres) foram perdidos, incluindo 53%das famílias marinhas, 84% dos gêneros marinhos e 70% das plantas terrestres, insetos e vertebrados. Entre os especialistas, existe um consenso de que esta crise teria sido provocada pela desoxigenação de inúmeros habitats devido a um aumento significativo da temperatura registrado no final do Triássico.

            O primeiro evento de grande magnitude ocorreu cerca de 248 milhões de anos atrás, na passagem do período Permiano para o Triássico. Já o segundo evento ocorreu na fronteira entre o Cretáceo e Terciário (64,5 milhões de anos atrás).

            Na passagem da Era Paleozóica para a Era Mesozóica, no final do Período Permiano. Esta época foi marcada pela maior extinção de seres vivos registrada na história da vida sobre a Terra atingindo muitos grupos de organismos de diferentes habitats. Quase todos os invertebrados do Paleozóico desapareceram. cerca de 95% das espécies encontradas no Permiano não apareceram mais no Terciário, incluindo vertebrados e invertebrados.

            Entre os vertebrados, 75% dos anfíbios e 80% das famílias de répteis desapareceram do registro geológico. Alguns grupos que sobreviveram à extinção permiana reduziram drasticamente e nunca mais alcançaram o domínio ecológico que possuíam anteriormente. Dentre os grupos mais afetados estão os foraminíferos fusilinídeos, trilobitas, corais rugosos e tabulares, placodermes, entre outros. Dentre os grupos drasticamente reduzidos estão os briozoários, braquiópodes, crinóides, amonóides (moluscos), euripterídeos, ostracódes e equinodermas. Estudos plublicados a partir da década dos anos oitenta sugeriram que não existe evidência segura de extinção em massa no registro fóssil das plantas.

            A passagem da Era Mesozóica para a Cenozóica também foi assinalada por uma grande extinção em massa no registro geológico denominada crise K/T (Cretáceo/Terciário). Esta crise é mais conhecida por ter exterminado os dinossauros da face da Terra. Cerca de 85% de todas as espécies de seres vivos desapareceram tornando a crise K/T a segunda maior no registro geológico.

            Contudo não foram apenas os dinossauros as vítimas deste evento. Outras linhagens de répteis marinhos tais como os ictiossaurus, plesiossaurus e mesossaurus também teriam sido extintos, bem como os pterossaurus  (répteis voadores). Entre os invertebrados, muitas espécies e foraminíferos, alguns grupos de moluscos (amonóides, belenmnóides) também foram extintos. Dentre os grupos bastante afetados estão os foraminíferos planctônicos, dinoflagelados, braquiópodes e equinóides. Os grupos menos afetados foram as plantas com flores, os gastrópodes, pelicípodes, anfíbios e mamíferos.

            Tradicionalmente, duas correntes de pensamentos associam essas mudanças ambientais bruscas em nosso planeta a dois fenômenos: vulcanismo em grande escala e impacto na Terra por um corpo extraterrestre.

            Em ambas as fronteiras temporais supradescritas relacionadas com mudanças climáticas e extinções, ocorreram alguns dos maiores eventos vulcânicos do planeta, com extravasamento de centenas de milhares de quilômetros quadrados de lavas. O vulcanismo relacionado com o primeiro evento (Permo-Triássico) ocorreu na Sibéria, durando um período de tempo geológico relativamente curto, cerca de 800.000-900.000 anos. Poeira e gases foram lançados na atmosfera em grandes quantidades. As conseqüências para a vida foram: um resfriamento global decorrente da obstrução da luz do sol durante anos, e depois um aquecimento decorrente dos gases agora presentes na atmosfera, patrocinadores do efeito estufa. 

            O segundo grande evento de extinção em larga escala (fronteira Cretáceo - Terciário) Alguns pesquisadores acreditam que a presença de altas concentrações de irídio em uma fina camada de sedimento depositado no limite K/T e encontrada em sedimentos marinhos e continentais em inúmeras localidades em torno da Terra só pode ser explicada considerando-se a ação do impacto de meteoritos. Isso porque o irídio é um elemento só encontrado no manto terrestre ou em corpos celestes como os meteoritos e cometas. Outros cientistas já acreditam que por poder ter também o irídio origem no manto terrestre que, as erupções vulcânicas foram o agente mais importante no desencadeamento da crise K/T, como evidenciado no planalto de Decan, na Índia e Paquistão. No local são observados extensos derrames de lava basáltica no limite Cretáceo/Terciário ocupando atualmente uma área de 500.000 km2. Este derrame teria produzido enormes quantidades de cinzas, alterando o clima global da Terra e a química dos oceanos. Assim, tanto as erupções vulcânicas como os impactos de meteoritos são mecanismos viáveis para explicar a extinção em massa verificada no limite Cretáceo/Terciário.

Os répteis foram a forma de vida dominante na Terra durante muitos milhões de anos, e os dinossauros representam a culminação de sua evolução. Eram animais evoluídos e perfeitamente adaptados as condições de vida do ambiente em que viviam. Na terminologia grega, deinos, significa “terrível” e  sauros, significa “lagarto”, dando origem a palavra dinossauro.

Muitos estudos através de fósseis foram culminados para entender melhor sobre a história de vida dos dinossauros e suas relações com o ambiente. Nesse contexto surge Mary Anning (1799-1847), uma colecionadora e comerciante de fósseis, onde, em Lyme Regis, Dorset, na costa sul da Inglaterra – onde as rochas do cretáceo são ricas em restos de plantas e animais que viveram há muitíssimo tempo, e que mortos, foram conservados e enterrados em sedimentos trazidos pelo mar – iniciou o seu trabalho de triagem, identificação e classificação no mercado de fósseis. Em 1810 ela descobriu em falésias da praia, ossos de que haviam sido deum grande animal marinho, distinto de qualquer animal moderno. Os cientistas possibilitaram uma reconstrução do animal, recebendo o nome posteriormente de Ictiossauro. Em 1770 foi descoberto por um povo holandês, em uma caverna subterrânea de Maastricht, a beira do rio Mosa, mandíbulas de um enorme lagarto. Logo a criatura foi denominada Monossaurio (Lagarto da Mosa), que se acredita ser um réptil carnívoro e marinho. Em 1784 encontraram na Baviera restos de um pequeno réptil voador, recebendo o nome de Pterossaurio. Em 1822 em Sussex, no sul da Inglaterra, foram encontrados dentes fósseis de um animal denominado Iguanodon, um réptil similar, em termos gerais, a uma iguana – com padrões anatômicos muito maiores. A partir daí novos fósseis foram descobertos e gêneros identificados.

Para dar suporte e validar os achados de vários pesquisadores de fósseis como Mary Anning, muitos cientista propuseram teorias para ajudar na datação e classificação dos dinossauros. James Hutton (1726-1797) enunciou a teoria do uniformitarismo – os processos  geológicos que tem lugar atualmente na Terra  haviam acontecido de um modo similar a toda extensão da história do planeta. Quando se conhece o processo que produz uma rocha, pode-se propor que esse mesmo processo foi responsável pela produção, ao longo da história, de rochas semelhantes. Para calcular a medida de deposição de sedimentos sobre a matéria a ser fossilizada e conservada em determinado estrato rochoso, vários princípios teóricos foram propostos – princípio da horizontalidade original, princípio da superposição e princípio da continuidade lateral e original. Com isso determinou-se que as rochas onde existissem fósseis de dinossauros pertencem ao período chamado Cretáceo. Mas na verdade, a quantidade de fósseis encontrados não condiz com a realidade do número total de fósseis – seria somente a ponta de um gigante Iceberg.

O que aconteceu para provocar uma catástrofe de tão magnitude? Por que os dinossauros se extinguiram? Quem os matou? A era Mesozóica começou em torno de 225 milhões de anos e os répteis floresciam durante toda ela (Cretáceo → 65 milhões →Terciário [Mesozóica]).   O que causou as extinções ficou conhecido como o Evento limite Cretáceo-Terciário, limite bem real e de natureza física.  Mary Annig encontrou seus fósseis no limite, entre os estratos da época conhecida como Jurássico Inferior (subdivisão do Jurássico) e o Cretáceo, pois seus fósseis tem entre 65 e 200 milhões de anos. O desaparecimento dos dinossauros data por volta de 65 milhões de anos. Quando eles desapareceram do planeta, 85% das espécies viventes se perderam junto. A catástrofe foi imensa, muitíssimo maior que o homem moderno poderia nunca produzir, inclusive se utilizar simultaneamente todas as armas nucleares do arsenal mundial.

Muitas teorias para a extinção dos dinossauros foram propostas, mas as provas eram insuficientes para corroborar com as teorias. Dessa forma algumas possíveis causas para extinção em massa dos dinossauros foram elucidadas:

1)     A mudança climática que ocorreu durante o período Cretáceo;

2)     A inversão do campo magnético da Terra invertendo a polaridade (norte em sul, e sul em norte). Com essa inversão, a magnetosfera, escudo formado pelo campo magnético que envolve o planeta, está debilitada, permitindo a entrada de radiação ionizante procedente do Sol. Algumas hipóteses sugerem que as inversões de polaridade podem ser causadas por impactos de meteoritos.

3)     Uma das teoria acredita na prosperidade dos mamíferos sobre os répteis. Como eles eram animais de “sangue quente”, homeotérmicos, os mamíferos podiam seguir um modo de vida noturno, e os répteis de “sangue frio”, pecilotérmicos não podiam. Com isso seus ovos estariam desprotegidos e seriam presas fáceis para os mamíferos que se alimentavam a noite, dessa forma provocou-se uma deficiência reprodutiva dos répteis e diminuição das espécies até o desaparecimento por completo.

4)     Outra teoria sugere que uma estrela como uma supernova estaria em nossa região da galáxia, jogando sobre a superfície terrestre partículas de grande energia. O sistema solar estaria sendo atravessado por uma nuvem de poeira interestelar e o permanecimento dessa nuvem teria escurecido o planeta. Concomitantemente, em um planeta escuro as plantas dependentes de luz solar morreriam, os animais dependentes delas também, e um ambiente escuro e frio se instalaria na Terra, sendo um ambiente inóspitos para animais pecilotérmicos.

5)     Por último e a mais aceita teoria, o choque de um grande objeto – um meteorito, um cometa - contra a Terra seria o responsável pela extinção. Planetesimal é o termo geralmente usado para referir-se a objetos sólidos que existem no espaço, com tamanho similar de um pequeno planeta. Se um planetesimal tivesse entrado na atmosfera terrestre em alta velocidade ele demoraria pouco segundos para alcançar a superfície. Esse impacto teria gerado uma explosão descomunal – se compararmos essa explosão com a maior bomba de hidrogênio, seria como comparar a erupção do monte Santa Elena com os disparos de uma arma de brinquedo. O som seria propagado em grandes ondas de choques; os terremotos causados pelo impacto poderiam ser sentidos em qualquer parte do mundo; caso os impacto fosse no mar tsunamis monstruosas seriam produzidas; e uma cratera de 200 quilômetros de diâmetro abriria expulsando material para atmosfera. A energia seria tão grande que reações químicas ocorreriam no próprio ar e a liberação do magma através dos vulcões em erupção. Caso o objeto tivesse entrado em ângulo mais empinado, de modo que admitisse uma órbita instável em volta da Terra, girando cada vez mais, ele desintegraria em fragmentos e cairia sobre uma extensa área. Em todo esse percurso a energia teria diminuído.

Portanto, abre - se um debate científico que há muito tem empolgado os cientistas. Creditar ao vulcanismo ou a impacto cósmico as grandes mudanças ambientais que ocorrem no planeta, assim como suas correspondentes extinçõesem massa. Nessesentido, vulcanismos basálticos registrados relacionam - se sistematicamente com os períodos de extinçõesem massa. Seusefeitos seriam muito semelhantes àqueles relacionados com um impacto cósmico, como saturação da atmosfera por poeira e gases, formação de tsunamis (maremotos), além de concentrações anômalas de metais raros na crosta terrestre como platinóides. Adicionalmente, tem-se admitido que  um impacto de grandes proporções geraria também vulcanismo em grande escala, graças à propagação pela Terra das ondas de choque. Pelo menos no caso da extinção do Cretáceo-Terciário, pode - se afirmar a existência conjunta desses dois fenômenos (Sgarbi, G. N. C., 2001)

            A pesquisa sobre as causas das extinções em massa está considerando vários fatores incluindo impacto de asteróides, vulcanismo, mudanças ao nível do mar, clima e tectônica de placas. Atualmente parece improvável que cada um dos fatores atue como causa geral de extinçõesem massa. Váriosfatores podem agir, em várias combinações (Ridley, 2004).

 

 

EXTINÇÃO NATURAL VERSUS ANTROPOGÊNICA

 

Durante os últimos 600 milhões de anos existiram vários episódios de extinção massiva, cinco dos quais estiveram a ponto de fazer desaparecer a vida sobre o planeta. Por exemplo, durante o período Permiano, deu-se a maior extinção de todas, que culminou com quase 95% da vida sobre o planeta. Outro exemplo é a extinção dos dinossauros, que viveram durante milhões de anos e então desapareceram.

O número de espécies declaradas oficialmente extintas chegou a 27 nos últimos 20 anos, prova de que o ritmo atual de perda da biodiversidade é muitas vezes maior do que a taxa que prevaleceu por longos períodos geológicos. Estimativas baseadas nos fósseis já encontrados sugerem que a taxa de extinção anterior dos mamíferos e pássaros era de uma espécie perdida a cada 500 ou 1.000 anos (May, Lawton e Stork, 1995).

As espécies oficialmente extintas desde o início dos trabalhos da UICN, há 40 anos, chegam a 784, número que, segundo especialistas, deve ser acrescido de 65 outras espécies, que só conseguem sobreviver em cativeiro ouem cultivos.  Naprática, estão ameaçados 12% das espécies das aves; 23% das de mamíferos; 52% das de insetos; 32% das de anfíbios; 51% das de répteis; 25% das de coníferas e 20% das de tubarões e raias.

Os organismos vivos contribuem para uma grande variedade de serviços ambientais, como a regulação da composição gasosa da atmosfera, proteção de zonas costeiras, regulação de ciclos hidrológicos e do clima, geração e conservação de solos férteis, dispersão e decomposição de resíduos, polinização de várias plantações e a absorção de poluentes (UNEP, 1995). Sob uma ótica estritamente antropocêntrica, muitos desses serviços foram qualificados e quantizados em  termos econômicos; calculou-se recentemente que o valor econômico combinado de 17 serviços prestados pelos 16 biomas analisados, varia entre US$ 16 trilhões e US$ 54 trilhões por ano (Costanza e outros, 1997). Existem limitações nestas análises: Vários biomas e diversas categorias de serviços ambientais ficaram de fora do trabalho, já que não são ainda adequadamente pesquisados e objeto de valoração econômica. O próprio Cerrado, cujos estudos de valoração econômica ainda são muito recentes, não foi considerado. Mais estudos sendo disponibilizados, o valor total aumenta.

A saúde e o bem-estar humanos dependem diretamente da biodiversidade. Por exemplo, 10 dos 25 medicamentos mais vendidos no mundo em 1997 derivavam de fontes naturais. Estima-se que o valor do mercado mundial de produtos  farmacêuticos derivados de recursos genéticos esteja entre US$ 75 bilhões de US$ 150 bilhões por ano. Cerca de 75% da população mundial usa remédios tradicionais diretamente derivados de fontes naturais para tratar da saúde (UNDP, UNEP, World Bank e WRI, 2000).

A biodiversidade também fornece recursos genéticos para alimentos e para a agricultura e, portanto, constitui a base biológica para a segurança alimentar do mundo e o suporte à subsistência humana.

Várias espécies relacionadas a plantas silvestres são de grande importância para as economias nacionais e mundiais. Por exemplo, certas variedades etíopes protegeram de patógenos virais plantações de cevada californianas, estimadas em US$ 160 milhões por ano. A resistência genética a doenças obtida a partir de variedades silvestres de trigo na Turquia foi avaliada em US$ 50 milhões por ano (UNEP, 1995).

Assim, atualmente, verifica-se o fenômeno da redução e perda de espécies. A biodiversidade global está mudando a uma velocidade sem precedentes (Pimm e outros, 1995), e os maiores responsáveis por essa mudança são a conversão de terras, as mudanças climáticas, a poluição, a exploração não sustentável dos recursos naturais e a introdução de espécies exóticas (Sala e outros, 2000). As causas principais da perda de biodiversidade são o crescimento da população humana associada a padrões de consumo insustentáveis, uma crescente produção de lixo e poluentes, o desenvolvimento urbano, conflitos internacionais e a contínua desigualdade na distribuição de recursos. Desta forma, é necessário repensar as ações humanas, pois a extinção de espécies representa perda de biodiversidade, o que pode ocasionar a extinção do próprio ser humano por escassez de serviços ambientais prestados pela biodiversidade.

Alguns podem se perguntar por que de tanto barulho em preservar se já houve cinco grandes extinções. Mas o caso é que essa seria única, pois não vem de causas naturais, mas sim das atividades de uma única espécie (que aliás ocupa cerca de 25 a 50% do território terrestre), o que a torna sem precedentes. 

 

 

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

  • ·        ALLABY, M.; LOVELOCK; J. La gran extension. El fin de los dinosaurios. Ed. Blume, Madrid: Hermam Blume, 1987.

 

  • AVISE, J.C., HUBBELL, S. P., AYALA, F.J. - In the Light of Evolution, Volume II: Biodiversity and Extinction. 2008 – Disponível em: http://www.nap.edu/catalog/12501.html Acesso em: 15/06/2011

 

  • COSTA, M. N. de S. - A Coluna Geológica e a Paleontologia.   4º Encontro Nacional de Criacionistas. São Paulo - UNASP, 2002. UNEP (1995). Global Biodiversity Assessment.Cambridge, Cambridge University Press UNEP-WCMC (2000). Global Biodiversity: Earth’s living resources in the 21st century. Cambridge, World Conservation Press;

 

  • COSTANZA, R., d’Arge, R., de Groot, R., Farber, S., Grasso, M., Hannon, B., Limburg, K., Naeem, S., O’Neill, R. V., Paruelo, J., Raskin, R. G., Sutton, P. and van den Belt, M. (1997). The value of the world’s ecosystem services and natural capital. Nature. 387, 253–60

 

·        ELDREDGE, N. - The Sixth Extinction. 2005. Disponível em: <http://www.actionbioscience.org/newfrontiers/eldredge2.html> Acesso em: 09/06/2011

 

  • FUTUYMA, D. J., - Biologia Evolutiva. 2ª Edição – Ribeiro Preto: FUNEC, 2002. p. 379 – 385

 

  • LAWTON, J. H. & MAY R. M. Extinction Rates. Editora Oxford, 199

 

  • May, R. M., Lawton, J. H. and Stork, N. E. (1995). Assessing extinction rates. In J. H. Lawton and R. M.May (ed.), Extinction Rates. Oxford, Oxford University Press

 

 

 

  • RIDLEY, M. – Evolução. 3ª Edição – Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 664 – 674

 

 

  • Sala, O.E., Chapin III, F.S., Armesto, J.J., Berlow, R., Bloomfield, J., Dirzo, R., Huber-Sanwald, E., Huenneke, L.F., Jackson, R.B., Kinzig, A., Leemans, R., Lodge, D., Mooney, H.A., Oesterheld, M., Poff, N.L., Sykes, M.T., Walker,B.H., Walker, M. and Wall, D.H. (2000). Global biodiversity scenarios for the year 2100. Science. 287, 1770-74

 

  • UNEP (1995). Global Biodiversity Assessment. Cambridge, Cambridge University Press

 

  • WRI and IUCN (1998). Climate, Biodiversity and Forests. Issues and Opportunities Emerging from the Kyoto Protocol. Washington DC, World Resources Institute

 

 



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 19:52
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seminários de evolução: arte e seleção natural

ARTE E SELEÇÃO NATURAL

 

Fernando F. R. Furtado

Ulisses Viana Taveira

Texto de introdução ao seminário

Naturalizemos a estética

Denis Dutton

Universidade de Canterbury

Naquele que para os professores é talvez o mais destacado ensaio de estética, o primeiro capítulo de Art, Clive Bell faz uma observação tipicamente estranha e excessiva:

"O leitor dar-se-á conta de que quem é incapaz de emoções estéticas puras recorda-se dos quadros que observou em virtude do seu tema; ao passo que quem é capaz de tais emoções normalmente desconhece o tema de uma pintura. Nunca prestou atenção ao elemento representativo, de modo que quando discute pintura fala das formas, da relação e distribuição da cor."

Nunca me deparei com alguém que ao falar das pinturas que observara fosse capaz de recordar rectângulos azuis, manchas verdes e nódoas castanho-rosadas sem poder lembrar-se se estes eram carros, árvores ou pessoas. Suspeito que Bell está apenas a tentar convencer-nos da verdade do formalismo através do choque, mas ao fazê-lo encaixa perfeitamente na linha dominante em estética nos últimos duzentos anos.

O formalismo é um conjunto complicado de ideias que procuram dar sentido a algumas das nossas intuições básicas sobre a arte, embora negue ou exclua sistematicamente outras. A estética "pura", segundo o formalismo, preocupa-se apenas com a forma e a estrutura. Há um certo apelo intuitivo a este modo formalista de pensar em estética e os filósofos profissionais continuam sob a sua influência pelo menos desde Kant.

Mas há situações contra-intuitivas, e na estética como em tudo na filosofia, é possível dedicar toda uma carreira académica a tentar reconciliar tais conflitos de intuição, a mostrar que não existem, ou a explicar por que um dos lados está inequivocamente certo e o outro errado.

Subjacente a tudo isto há uma questão que raramente colocamos: de onde nos vêm as intuições? Eis um exemplo do problema: nos anos setenta, publiquei um ensaio acerca do que há de mal com as falsificações. Arthur Koestler e Alfred Lessing defendiam que nada havia de mal com as falsificações desde que fossem "esteticamente" indiscerníveis dos originais, ou de algum modo parecessem tão boas quanto os originais. Segundo a posição de Lessing/Koestler, rejeitar uma falsificação que tenha excelência estética seria puro snobismo.

A minha resposta começava com o apelo a uma experiência imaginária: a sensação aguda de desilusão e desapontamento que sentiríamos ao saber que a gravação de uma interpretação ao piano plena de brilhantismo e virtuosismo que muito admirávamos era na verdade o produto de uma falsificação, pois fora acelerada electronicamente. A partir daqui, construí uma perspectiva geral da arte como algo que envolve necessariamente a execução técnica e o mérito.

Continuo convencido de que tinha razão, embora o meu argumento tivesse uma falha embaraçosa. Todo ele dependia de um efeito psicológico profundo e impressionante — um choque, diria mesmo um sentido de traição. Mas não dispunha de uma maneira de explicar a existência de tal efeito. Pelo menos um autor, Leonard B. Meier, havia tratado a admiração pela técnica como um produto cultural contingente — como se pudéssemos imaginar uma cultura onde a destreza não fosse objecto de admiração. Isto parecia improvável. A admiração pela técnica sofisticada, pelos feitos de virtuosismo, é um valor universal, transcultural. Não afecta apenas o mundo da arte mas possivelmente toda a actividade humana, por exemplo, as actividades desportivas onde quer que estas sejam encorajadas.

Houve um período na estética anglo-americana em que era aceitável limitarmo-nos a descrever uma intuição e o modo como se manifestava na linguagem da arte e da crítica. Hoje há uma grande quantidade de bibliografia psicológica que podemos aplicar à reflexão sobre as origens das nossas intuições, incluindo os sentimentos e emoções expressos, suscitados ou representados na experiência estética. No caso da admiração pela destreza técnica, a universalidade deste fenómeno tem uma base evolucionista tanto quanto a apetência por alimentos ricos em gordura ou açúcar. Os povos que cultivavam o desenvolvimento de aptidões e a admiração pelas mesmas sobreviveram melhor que os seus concorrentes do Pleistoceno. Mas mais que a selecção natural, é provável que a selecção sexual tenha desempenhado um papel relevante na evolução da admiração pela técnica, dada a tendência dos nossos antepassados para considerarem atraentes como parceiros indivíduos que demonstrassem uma gama de aptidões manuais e intelectuais.

Muitos filósofos continuam relutantes quanto a psicologizar valores se isso significar naturalizá-los como componentes estáveis de uma natureza humana que foi objecto de um processo evolutivo. Mas porquê? O que há de tão vantajoso em usar "cultura" como a explicação multi-usos para todo e qualquer valor?

Tome-se em consideração a célebre experiência de Komar e Melamid que consistia em criar as pinturas favoritas para diversas pessoas de todo o mundo, com base em sondagens. As pinturas que obtêm com base nas preferências colhidas em tais sondagens são anedóticas (George Washington partilha uma cena no Rio Hudson com um hipopótamo), mas têm o mérito de apoiar de modo involuntário alguma investigação independente sobre as preferências transculturais em paisagens e pinturas de paisagens. Há uma lista transcultural de elementos que os seres humanos desejam ver nas paisagens — água, uma diversidade de áreas abertas com árvores às quais é possível trepar, mamíferos de grande porte, domésticos ou selvagens, estradas que desaparecem a uma distância convidativa (o que os psicólogos chamam elementos de "auxílio à navegação"), e assim sucessivamente. Além dos testes psicológicos de laboratório, estes elementos paisagísticos preferidos aparecem tanto nos calendários com paisagens como no design de jardins privados e parques públicos em todo o mundo. Tanto Komar e Melamid como a história da pintura paisagística na Europa e na Ásia sustentam este ponto de vista.

Eis aqui um desafio lançado à estética: por que não nos esforçamos um pouco mais por nos abrirmos às abordagens naturalistas da experiência estética que vão além do legado formalista e da sua "pureza"? As questões que levanta são fascinantes. Por que não colaborar com os psicólogos de modo a compreendermos melhor as preferências transculturais presentes no conteúdo de uma imagem? Existirão mecanismos psicológicos que dêem conta do prazer de cantar em grupo ou de partilhar uma experiência artística como membro de um público? Poderemos identificar e analisar em termos estatísticos os temas e ideias recorrentes no teatro e na literatura?

Os psicólogos evolucionistas insistem na ideia de que onde quer que na vida humana encontremos um prazer intenso, este provavelmente estará ligado a uma vantagem reprodutiva ou de sobrevivência. A arte tem um escasso valor prático, mas pode proporcionar um prazer intenso. Porquê? Estetas, por favor, expliquem isto.

Uma perspectiva verdadeiramente naturalizada e portanto darwinista da experiência estética seria até certo ponto especulativa, mas estaria particularmente aberta a provas empíricas que tendam a confirmar ou a infirmar decisivamente as suas hipóteses. Não se oporia a perspectivas da experiência estética baseadas na singularidade da expressão cultural, mas poderia enriquecê-las, inserindo-as numa perspectiva universal. Se a linguística de base científica não reduz a imensa diversidade de línguas humanas a um único código empobrecido, tão-pouco uma estética naturalizada poderia roubar à arte o seu poder vivo e exuberante.

Bell estava redondamente enganado. Não só estamos destinados a reparar nos temas das obras de arte que admiramos, como enquanto espécie temos a tendência constante para preferir alguns temas a outros. Os modernistas sofisticados podem não gostar da ideia, nem a malta pós-modernaça que insiste em reduzir tudo a política económica, racial ou sexual. Mas a fundamentação natural para o estímulo estético é algo que nós, enquanto profissionais, não nos podemos dar ao luxo de ignorar. E muito menos negar.

Denis Dutton

Tradução de Vítor Guerreiro

 

Publicado na revista de filosofia crítica na rede.com, em Fevereiro de 2007.

 

   

Referências do Seminário:

Dutton, D. (2004) “Naturalizemos a Estética” Trad. Guerreiro, V. In Crítica na Rede. Londres. 2007. Disponível em http://criticanarede.com/est_naturalizar.html acessado em 30 de junho de 2011.

Dutton, D. (2009) “Arte e Seleção Natural” in Arte e Instinto: Beleza, Prazer e Evolução Humana. pag. 145-173, Trad. Quina, J. Lisboa: Temas e Debates. 2010.

Dutton, D. (2009) “Introdução” in Arte e Instinto: Beleza, Prazer e Evolução Humana. pag. 9-26, Trad. Quina, J. Lisboa: Temas e Debates. 2010.

Robinson, J. (2006) “Problemas Da Estética” In Crítica na Rede. Londres. 2010. Disponível em http://criticanarede.com/problemasdaestetica.html acessado em 30 de junho de 2011.

Dutton, D. (2010) “A Darwinian Theory Of Beauty” In Ted. Disponível em http://www.ted.com/talks/lang/eng/denis_dutton_a_darwinian_theory_of_beauty.html e acessa-do em 30 de junho de 2011.



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 01:43
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seminários de evolução - evolução do homem

Universidade Federal de Ouro Preto

Departamento de Biodiversidade, Meio Ambiente e Evolução

Evolução

 

 

 

 

 

 

Evolução do Homem

 

 

 

 

 

 

 

Alessandra Resende

Guilherme Frederico

Isadora Sampaio

Laura Batista

Raquel Moreira

 

 

Ouro Preto

2011

A EVOLUÇÃO DO HOMEM

 

De onde viemos? Por séculos a grande pergunta da história da ciência não teve uma resposta cientifica. Então a primeira evidencia de um ancestral humano deu inicio a uma revolução cientifica. Essa é a história da busca da origem da raça humana ela abrange um século e meio de buscas incansáveis que construiu e destruiu a carreira de grandes cientistas da área. Para uns poucos afortunados uma descoberta daria um vislumbre do mundo desconhecido dos nossos ancestrais. Juntando os fragmentos do passado a história foi finalmente construída, abrangendo 300 mil gerações, cerca de 3 milhões de anos é a historia do nosso progresso, do macaco ao homem. A busca pela origem da humanidade seria uma historia de ossos e o que eles contavam.

Em 1859, três anos após as descobertas das primeiras evidências dos Neandertais, Charles Darvin publicou sua obra a origem das espécies. Ele sugere que todos os seres vivos descendem de uma forma ancestral mais simples pelo processo da evolução e se isso vale para todos os seres vivos na Terra isso vale para nos, os humanos, também.

Se o homem evoluiu de uma forma mais simples para a mente cientifica a implicação era obvia e perturbadora. Os humanos só podiam descender de macacos, o impacto na psicologia vitoriana foi profundo. Muitos acreditavam que a evolução os reduziria a pouco mais do que bichos.

Os cientistas começaram a então buscar o elo que nos ligava aos macacos.

Para entender melhor a evolução do homem discutiremos a respeito da evolução dos primeiros primatas, passando pela dos hominídeos, citando também as questões biogeográficas e anatômicas que favoreceram e influenciaram nessa evolução do macaco ao homem. Por último e não menos importante enfocaremos a evolução cultural do homem.

Há milhões de anos nas planícies da África houve um momento importante. Macacos que andavam em quatro patas se levantaram e andaram sobre duas, eventualmente essa mudança na postura seria seguida por uma mudança em seu cérebro. De alguma forma, com o tempo eles se tornariam nós. O que separa os macacos da linhagem dos hominídeos é principalmente a postura ereta. Os primeiros hominídeos mesmo apresentando uma postura ereta apresentam a parte superior adaptada para a escalada assim como os macacos. Essas criaturas ancestrais deveriam passar boa parte do tempo nas árvores possivelmente dormindo lá durante a noite para fugir de predadores e andando eretos no chão durante o dia.

Acredita-se que os primeiros a adotarem o bipedalismo viviam na África em uma época onde a paisagem desse lugar era formado por um mosaico de ambientes diferente, desde florestas, campos rios e lagos. Conforme a área de floresta se encolhia isso fez com que surgisse o bipedalismo.  Isso fez com que fosse possível observar sobre a  grama alta e pudessem carregar objetos. Outra vantagem foi que ele proporciona uma economia de energia no deslocamento.

A linhagem evolutiva humana não é completamente conhecida, sendo que os hominídeos descritos abaixo obedecerão a uma ordem de acordo com o tempo em que estiveram na Terra, do mais antigo ao mais recente. Isso não significa que um hominídeo descendeu diretamente do outro.

Ardipithecus ramidus: é uma espécie de hominídeo fóssil  que existiu há 4,4 milhões de anos, na Etiópia, tinha uma capacidade craniana de 410 cm³, ou seja, três vezes menor que a do Homo sapiens. Foi descrita por Tim White e sua equipe a partir do descobrimento na África Oriental no ano 1983 por meio de alguns maxilares. O A. ramidus também se distingue por seus caninos superiores em forma de diamante, que são muito mais parecidos aos humanos que os caninos em "v" dos chimpanzés; além disso, os machos Ardipithecus, como os humanos, tinham os dentes caninos de tamanho similar aos das fêmeas, o que para Lovejoy teve relação com mudanças decisivas nos comportamentos sociais. No entanto, a criatura provavelmente se parecia mais a um símio que a um humano.

  Australipithecus anamensis: é uma espécie de australopiteco descoberta em 1994 por Meave Leakey no Norte do Quênia. Seu nome deriva de anam que significa "lago" na língua Turkana local. Os fósseis incluem a mandíbula e maxila, fragmentos craniais, e as partes superior e inferior do osso da perna. Os fósseis têm sido datados de 3,9 a 4,2 milhões de anos, sendo do início do Plioceno. A dentição é menos parecida com a dos macacos. O fóssil da tíbia indica que o A. anamensis era maior que o A. afarensis e o Ardipithecus ramidus, com um peso estimado entre 46 e 55 quilogramas, apesar de poder ter sido apenas um indivíduo maior da espécie. A anatomia semelhante a dos humanos indica que o A. anamensis era bípede na postura e na locomoção.

Australopithecus afarensis: é uma espécie de hominídeo extinto proposta em 1978 por Tim White e Don Johanson. Os vestígios fósseis foram datados em 3,4 milhões de anos. O nome provém da região onde foi encontrado a Depressão de Afar. Até ao presente, foram já encontrados fragmentos desta espécie pertencentes a mais de 300 indivíduos, datados entre 4 e 2,7 milhões de anos, todos na região norte do Grande Vale do Rift, incluindo um esqueleto quase completo duma fêmea adulta, que foi denominada Lucy. Uma das características marcantes de Lucy é o tamanho de seu cérebro: 450 cm cúbicos. Um pouco maior que o cérebro de um chimpanzé moderno.

Australopithecus bahrelghazali: é um pouco mais jovem que A. anamensis e contemporâneo do A. afarensis. Foi encontrado em Chad, centro da África, em sítio fóssil interpretado como um; ago na floresta. Foi o primeiro hominídeo encontrado a oeste da fenda de “Rift Valley”, o que sugere que os primeiros hominídeos estavam mais dispersos pela África e era mais diverso quanto aos seus habitats.

Australopithecus ghari: Datada em 2,5 milhões de anos foi encontrada na Etiópia. Alguns cientistas a consideram o elo perdido entre os gêneros Australopithecus e Homo. Primeira espécie a se alimentar de carne a usar ferramentas.

Australopithecus africanus: viveu entre 2 e 3 milhões de anos atrás, durante o período conhecido como Pleistoceno. Foi descrita por Raymond Dart em 1924, com base no "Crânio Infantil de Taung", um crânio de um ser jovem que Dart pensou ser o “elo perdido” da evolução entre os símios e os seres humanos. Dart considerou ser o achado relativo a uma espécie nova, devido ao pequeno volume do seu crânio, mas com uma dentição relativamente próxima dos humanos e por ter provavelmente tido uma postura vertical. Esta revelação foi muito criticada pelos cientistas da época, entre os quais Sir Arthur Keith, que postulava que não passava do crânio de um pequeno gorila. Como o “crânio Infantil de Taung”, realmente um crânio de um ser jovem, havia espaço para várias interpretações e, mais importante, nessa altura não se acreditava que o “berço da humanidade” pudesse estar em África. As descobertas de Robert Broom em Swartkrans, na década de 1930 corroboraram a conclusão de Dart, mas algumas das suas ideias continuam a ser contestadas, nomeadamente a de que os ossos de gazela encontrados junto com o crânio podiam ser instrumentos daquela espécie.

Gênero HOMO

Atualmente a espécie Homo sapiens sapiens é a única descendente do gênero Homo que ainda se encontra viva, todas as outras foram extintas. As diferenças entre as várias espécies são, em alguns casos, mínimas e existe pouca informação, o que leva a crer que não haja um consenso acerca de quais  espécies que deveriam ser consideradas isoladas e quais deveriam ser consideradas subespécies de outras espécies. Homo provem do latim e significa pessoa, este termo foi inicialmente utilizado por Carolus Linnaeus quando elaborou o seu sistema de classificação.

Já separados do Australopitecus africanus, se desenvolviam novas espécies: o Homo habilis, o Homo esrgastes, o Homo erectus, o Homo heidelbergensis o Homo sapiens neanderthalensis e o Homo sapiens sapiens.

A primeira espécie Homo é o Homo habilis, que surgiu há 2,5-2,3 milhões de anos na África. É a que menos se parece com o H. sapiens, com braços proporcionalmente muito mais longos, cavidade craniana menor e morfologia geral similar aos Australopithecus. Tinha aproximadamente 1 metro de altura e pesava cerca de 30 a 40 kg. Foi o primeiro a construir e utilizar ferramentas de pedra lascada e era onívoro. O cérebro relativamente maior em relação aos Australopithecus (pouco menos da metade do nosso) fomentou maior eficiência nas caçadas, tanto pelo aprimoramento e desenvolvimento de ferramentas, quanto pela melhoria na capacidade de comunicação.

Fósseis hominídeos, do Pleistoceno Médio, datados entre 1,5 milhões de anos, são denominados de Homo erectus e foram encontrados na África, sudeste da Ásia e no sul da Europa. Foi a primeira espécie do gênero Homo a migrar para fora de África. Tinha aproximadamente 1,70 metros de altura e pesava cerca de 60 Kg. Homo erectus mostra mudanças evolutivas rápidas na mandíbula e na capacidade craniana. Com um cérebro do tamanho da metade do nosso, era bem inteligente e dominava o uso de uma das mais importantes ferramentas que o homem já teve, o fogo. Viviam em tribos de 20 a 50 indivíduos morando por um tempo relativamente longo em cavernas.

Homo ergaster é uma espécie de hominídeos com idade estimada de 1,8 e 1,2 milhões de anos, que habitavam a África. Na grande maioria, os investigadores encontram poucas diferenças entre H. ergaster e H. erectus que os distingam como espécies diferentes. No entanto, por regra geral, consideram-se os H. ergaster como os H. erectus mais antigos e confinados geograficamente à África, descrevendo-se como espécies diferentes. Tinham aproximadamente 1,90 metros e pesavam cerca de 60 Kg. Foram encontrados machados e facas perto dos seus fósseis e alguns cientistas defendem que esta espécie já domina o fogo.  Seu corpo era robusto, porém com esqueleto (proporção entre os ossos dos braços e os da perna) semelhante ao do homem atual.

O Homo heidelbergensis surgiu há cerca de 900 mil anos atrás, na Etiópia, leste africano. Apresentavam uma capacidade craniana quase igual à nossa. Era uma espécie alta, com cerca de 1,80 m de altura e provavelmente mais musculosa que o homem moderno. Foi a primeira no início da espécie humana a caçar animais de grande porte e viver em climas mais frios, pois seus corpos adquiriram uma adaptação de conservação de calor. Acredita-se que o Homo heidelbergensis foi um ancestral comum tanto ao Homo sapiens neandertalensis como à nossa espécie. Existem indícios que ele já fazia alguns desenhos artísticos e alguns rituais relacionados com a morte.

Homo sapiens neanderthalensis era uma espécie humana robusta que viveu entre 135.000 e 30.000 anos na Europa e Ásia ocidental. Os Neandertais clássicos (encontrados na Europa) tinham altura girando em torno de 1,60 metros e eram atarracados, uma solução anatômica para reduzir a área de resfriamento e o corpo preservar calor, já que viviam em ambientes frios. Tinham faces longas e crânios grandes, e a capacidade de cérebro era excedente a dos humanos modernos. Neandertais são as primeiras pessoas conhecidas por terem enterrado seus mortos. Onde a caça era mais abundante eles também se tornavam mais sedentários, construindo vivendas permanentes. Cientistas ainda debatem se eles são uma sub-espécie próxima e relacionada com os humanos modernos ou representam uma linha colateral mas não ancestral a humanos modernos.

Homo sapiens sapiens teve como seu primeiro representante o Cro-Magnon It lived at the time of the oldest definite control of fire and use of wooden spears, and it was the first early human species to routinely hunt large animals., eram muito semelhantes aos europeus modernos e eram mais altos do que os Neandertais. Nossa espécie evoluiu a partir de uma pequena população africana há aproximadamente 200.000 anos atrás. Sendo assim os Humanos Modernos são datados a partir dos 150.000 anos. Entre as principais características tem-se o aumento do tamanho da caixa craniana. As características anatômicas e comportamentais  que acompanharam a transformação evolutiva de H. erectus para H. sapiens envolveu, anatomicamente, uma diminuição da robustez tanto do esqueleto quanto dos dentes, modificações funcionais particularmente relacionadas à locomoção, o aumento do volume craniano e estrutura das mãos para uma melhor destreza manual. Quanto ao aspecto comportamental, a transição trouxe o desenvolvimento de uma indústria lítica mais apurada e com tecnologia de ferramentas diversas, estratégias de coleta e procura de alimentos mais eficientes, organização social mais complexa, o desenvolvimento completo de idioma falado, e expressão artística, porém não há um consenso quanto a origem, destes anatomicamente humanos modernos. 

 

TEORIAS DA EXPANSÃO

Em relação à origem dos humanos modernos, alguns cientistas acreditam em um modelo multi-regional para a evolução humana enquanto outros acreditam em uma origem única.

A perspectiva de multi-regionalistas é que estendendo-se até a origem do H. erectus , there have been populations of humans living around the old world, and these all contributed to successive generations, eventually leading to modern humans. erectus, haviam populações que viviam ao redor do mundo antigo, e todos eles contribuíram para sucessivas gerações, o que levou aos humanos modernos. In this model, there are paralleled changes in all penecontemporary populations, with enough genetic migration to maintain close species bonds, while still allowing the suite of racial features we see today.Neste modelo, há mudanças paralelas em todas as populações, mantendo as espécies próximas, enquanto ainda permitindo o conjunto de características regionais que vemos hoje.

Na segunda teoria, análise de materiais fósseis indica provavelmente uma única origem africana, que também é sustentada pela hipótese da Eva Mitocondrial e cromossomo Y. Na qual a análise de DNA mitocondrial (mtDNA) de pessoas de todo o mundo mostra que todos são descendentes de uma única mulher que viveu na África há 170.000 anos e a análise de uma sequência de 2.600 pb do cromossomo Y indica que todos os machos humanos são descendentes de um único indivíduo.

Para alguns pesquisadores existem algumas explicações para o fato de que apenas o mtDNA de Eva tenha conseguido sobreviver. A possibilidade mais provável é que um efeito gargalo aconteceu na humanidade enquanto Eva estava viva. Essa é uma situação em que a grande maioria dos membros de uma espécie morre de maneira repentina, deixando a espécie à beira da extinção. Suspeita-se que o efeito gargalo tenha acontecido em momentos distintos da história da humanidade, então não é uma idéia irreal que um acontecimento como esse possa ter ocorrido durante a vida de Eva. Além disso, é possível que depois de algumas gerações, o mtDNA de outras mulheres tenha desaparecido. Como por exemplo, se uma mulher tem apenas filhos homens, o mtDNA dela não será transmitido. É possível que essa possa ter sido a causa para a Eva surgir como a única “Mãe Sortuda” que em essência deu à luz todos nós.

 

CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS E A EVOLUÇÃO DO HOMEM

Características ambientais – em particular o clima – constituem o principal fator que irá determinar, por meio da seleção natural, a modificação adaptativa das espécies vegetais e animais. Como consequência, ainda, do processo de separação dos continentes, iniciado há 200 milhões de anos, grandes deformações de relevo ocorreram na África e na Ásia, como, por exemplo, o levantamento da cordilheira do Himalaia, a abertura da fenda de “Rifty Valley” e a evaporação do Mar Mediterrâneo.

Desde os últimos 50 milhões de anos, a maior parte de Europa, da Índia, da Arábia e do oriente africano era habitada por inúmeras espécies de símios arborícolas. Com a formação da fenda de “Rifty Valley” e das transformações climáticas, criou-se uma barreira geográfica que separou a população ancestral em dois grupos. Os antropomórficos do lado oeste divergiram para os macacos atuais. Os do lado leste ficaram encurralados numa zona onde essas florestas tornaram-se rarefeitas, sob influência do aumento da aridez, formando um novo hábitat. Esse novo ambiente era a situação ideal para um símio capaz de caminhar em pé. Animais com essas características constituíram a família dos hominídeos primitivos. No Pleistoceno Inferior, por volta de 2,5 milhões de anos, houve divergência entre duas linhagens, a dos primeiros humanos verdadeiros e a dos Autralopithecínes robustos, que com subsequentes resfriamentos climáticos e um clima mais seco foram levados à extinção.

The record of human modification of the environment spans at least 2.5 million years.O registro de modificação humana a cerca do ambiente abrange pelo menos 2,5 milhões de anos. During this period, changing climates would have resulted in changes and uncertainties in the availability of critical resources (eg, food and water). Enquadrada no contexto das mudanças climáticas no final do Plioceno e Pleistoceno, a capacidade de fazer ferramentas, explorar novos alimentos, controlar o fogo, construir abrigos duráveis, e organizar atividades social e complexa refletem as respostas evolucionárias que permitiram ancestrais humanos sobreviverem e se adaptar aos riscos e incertezas ambientais. Modificações mais profundas This fundamental change in how humans acquired food involved a transition from dependence on wild food sources sought and found each day, involving much of the population, to dependence on food that could be grown and stored by a much smaller subset of the population (Flannery, 1986; Zeder, 2006).fizeram com que grupos originalmente altamente móveis se tornassem sedentários. Populations grew in size due to the existence of a more stable food supply, which also enabled some members of the population to become specialized craftsmen, artists, inventors, religious and political figures, along with the many other roles that people adopt in modern society (Diamond, 1997).Populações cresceram em tamanho, devido à existência de uma oferta estável de alimentos, o que também permitiu que alguns membros da população se tornassem artesãos especializados, artistas, inventores, figuras religiosas e políticas, entre outros. The following is a summary of several distinct developments over the long course of human evolution that provided the antecedents to this critical transition.

 

EVOLUÇÃO CULTURAL

A Evolução Cultural consiste em mudanças no comportamento fundamentadas no aprendizado e não em alterações de frequências gênicas, podendo ser tanto vertical (transmitida por gerações) como horizontal (por imitação de práticas entre irmãos e companheiros de um mesmo grupo). (Futuyma, 2002)

As inovações culturais também sofrem ação de fatores seletivos, no sentido que algumas ficam arraigadas na cultura e outras não; elas podem se fixar seja devido à utilidade óbvia seja porque são associadas popularmente com status elevado ou porque são impostas à força. Segundo Futuyma (2002) a evolução das línguas ocorre devido a um tipo de deriva, mudanças aparentemente casuais que levam, por exemplo, à formação de dialetos.

A evolução cultural pode ocorrer muito mais rapidamente que a evolução biológica e mudanças súbitas podem ocorrer numa única geração.

Assim como analisamos a evolução biológica de um caractere, analisemos rapidamente a evolução cultural, por exemplo, da palavra “você”: No final da idade moderna, por volta do século 14, para se dirigir a alguém, os portugueses utilizavam duas palavras: VOSSA MERCEDES. Ao longo do tempo, tal expressão tornou-se menos formal, reduzindo-se ao termo VOSSA MERCÊ. Durante o período colonial brasileiro, com o encontro das línguas e a mistura das raças, havendo tratamento mais comum e aberto, as duas palavras se reduziram a apenas uma: VOSSEMECÊ, que posteriormente se transformou em VOSMECÊ. Por fim, finalizando o processo evolutivo, já no final do século 19, surge o conhecido VOCÊ. Vale destacar também as variações populares, utilizadas por índios e escravos, como MECÊVANCÊVASSUNCÊ e OCÊ. Hoje, com o advento da internet e o surgimento do “internetês”, a abreviação VC é empregada para o mesmo significado. Eis um exemplo simplificado de como a linguagem transforma-se tão rápida e facilmente.

Assim como no processo evolutivo biológico ocorre o fluxo gênico, na evolução cultural ocorre a troca de informações entre diferentes sociedades, uma vez que estas adotam os hábitos umas das outras.

A evolução cultural nem sempre se dá pela seleção de vantagens, pelo contrario, muitas vezes o aspecto em questão torna-se desvantajoso, para o individual e para o grupo em algum momento, a longo ou curto prazo.

Algumas características culturais têm suas frequências aumentadas não somente devido à sua transmissão, mas porque elas influenciam no crescimento e na dispersão das populações. A opção pela agricultura, por exemplo, fez com que as sociedades pastorais alcançassem densidades populacionais maiores do que as sociedades dos caçadores-coletores, levando à prevalência desse grupo. (Ammerman e Cavalli-Sforza, 1984, apud Futuyma, 2002). Cultura não são simplesmente resultados de alterações numéricas e o comportamento de uma sociedade não pode ser interpretado como sendo meramente uma consequência dos desejos e das condutas de seus membros, diferentemente da evolução genética, em que a mudança numa característica ocorre à medida em que os números relativos de indivíduos com um ou outro genótipo são alterados e as propriedades da população frequentemente são a somatória das propriedades dos indivíduos que o compõe.

Segundo Futuyma (2002), muitas espécies de animais sociais apresentam uma capacidade rudimentar para a cultura, como, por exemplo, os macacos japoneses (Macaca Fuscata) desenvolveram uma variedade de tradições culturais que são difundidas através do aprendizado, como, por exemplo, separar o trigo da areia, colocando-os para flutuar na água. Da mesma maneira, os chimpanzés aprendem com os mais velhos a utilizar gravetos para extrair térmitas dos seus ninhos. Vários chimpanzés mantidos em cativeiro demonstraram habilidade para aprender sinais de linguagem, um uso simbólico que era considerado restrito à espécie humana.

As mudanças ocorridas nos hábitos e cultura, bem como o aprimoramento de habilidades mentais em destreza para realiza-las pode ter levado à uma seleção para mudanças em características morfológicas, tais como a estrutura da mão, tamanho do pênis (maior  em relação ao dos grandes macacos) – pode ser consequência da seleção sexual - e a receptividade sexual contínua da fêmea (ao invés de sazonal como na maioria das espécies) – possível adaptação para manter a união de um casal).

 Homo sapiens é uma espécie cosmopolita e biologicamente única. Não existem mecanismos biológicos de isolamento entre as populações humanas, embora ocorram frequentemente barreiras culturais ao acasalamento.

Características físicas tais como a cor da pele, textura dos cabelos, forma dos incisivos, forma da cabeça e estatura variam nos humanos de acordo com a distribuição geográfica. Da mesma maneira também ocorrem variações de algumas características em qualquer espécie com ampla distribuição. Essas características têm sido usadas para definir “raças”, o equivalente a subespécies em outros organismos. (Futuyma, 2002)

É evidente que as populações podem ser distinguidas umas das outras, mas, de maneira geral, o grau de divergência genética é muito pequeno. A “distância genética” média entre os principais grupos raciais é pequena demais para que esses grupos possam efetivamente ser separados em raças. E vale ainda lembrar que povos morfologicamente semelhantes não são necessariamente os mais semelhantes do ponto de vista genético.

Assim, segundo Futuyma (2002), os estudos de variação genética indicam que mesmo os povos mais diferentes divergiram muito recentemente na história da humanidade. Que existem, de modo geral, diferenças muito pequenas entre as “raças”, com exceção daquelas poucas características morfológicas óbvias pelas quais elas normalmente são reconhecidas. Que muitas características que variam geograficamente não correspondem aos limites da distribuição das raças. E, finalmente, a não ser que surjam evidencias em contrário, que as poucas características que variam substancialmente entre as “raças” se restringem à cor da pele, forma do cabelo e à aparência. Por exemplo, não há razão para se esperar que as habilidades mentais variem entre as raças mais do que os genes codificadores de proteínas ou os da estrutura da mão.

A variação geográfica da espécie humana se dá devido à estrutura populacional adotada como sendo pequenos grupos dispersos e confinados por barreiras topográficas (que hoje seriam ultrapassadas facilmente). Já nas sociedades industriais do mundo moderno, a taxa de fluxo gênico entre os centros populacionais é provavelmente a maior de toda a história da humanidade, embora muitas populações do mundo ainda vivam em comunidades tradicionais entre as quais ocorre troca bastante limitada.

Mutações ocorrem na espécie humana como em qualquer outra, porém, muitas não causam maiores danos antes da idade reprodutiva, de forma que são costumeiramente repassadas aos descendentes. Enquanto outras deletérias não deixam que o indivíduo atinja a maturidade sexual. Dessa forma a seleção natural age também sobre a espécie humana, porém, recursos tecnológicos e científicos agem “contra” a seleção natural, uma vez que evitam ou adiam a morte daqueles que deveriam tê-la devido a algum fator genético, levando ao aumento da frequência do aparecimento de genes que causam tais anomalias na população, o que, a longo prazo, passa a ser um aumento  substancial no aparecimento desses genes, além de levar à diminuição da taxa de mortalidade da população (o que, nas sociedades industrializadas, não se sabe o porque, leva à diminuição da natalidade). Isso nos leva a pensar se a seleção natural não atinge mais a espécie humana, porém não é toda a população que tem acesso às maravilhas que nos permitem “burlar” a seleção natural.

 

EVOLUÇÃO E COMPORTAMENTO HUMANO

É bastante discutível se a biologia evolutiva é importante ou não para compreender o comportamento humano. Embora muitas características comportamentais humanas possam ser observadas em uma forma rudimentar em outros primatas, o fator dominante na evolução humana recente tem sido a evolução de enorme flexibilidade do comportamento e a capacidade de aprender a transmitir cultura. Embora alguns biologistas e antropologistas considerem as características humanas supostamente universais como sendo adaptações geneticamente canalizadas que foram herdadas dos primeiros ancestrais hominoides, outros a consideram como sendo respostas culturais e aprendizado altamente variável e, para reforçar esse ponto de vista, mencionam as mudanças históricas rápidas e a variação cultural entre os povos. Existem poucas evidencias evidentes de que grande parte da variação nas quantidades comportamentais humanas tenha uma base genética e nenhuma evidência de que as características comportamentais sejam limitadas geneticamente de modo significativo.

As condições culturais das sociedades humanas têm influenciado e continuam a influenciar nossa evolução biológica. Poucas questões têm suscitado tanto interesse e controvérsia como essa: como nosso comportamento pode ser limitado pelos nossos genes?

Os argumentos dizem respeito a dois problemas distintos, mas relacionados. Em alguns casos, a questão é se diferenças entre indivíduos e grupos em relação à inteligência ou a outras características comportamentais são baseadas em diferenças genéticas entre eles. Em outros casos, o argumento é se uma característica humana aparentemente invariável e universal é codificada ou não pelo genoma. Esses argumentos trazem à tona o aspecto do que pode ser a “natureza humana”.

O conceito de que alguma coisa seja “natural” é uma visão tipológica; ele está intimamente relacionado com a noção de que os seres vivos têm “essências” às quais eles se amoldam em maior ou menor grau. Por exemplo, normalmente é considerado como “natural” os humanos serem agressivos ou heterossexuais e “não-natural” serem pacíficos ou homossexuais.

A natureza humana inclui qualquer coisa que os seres humanos façam, desde a coprofilia até a composição de sinfonias. Esses comportamentos, na realidade, podem ser considerados como “anormais”, se forem definidos como tais comportamentos muito raros do ponto de vista estatístico. De qualquer forma, não existe nenhum critério claro para se determinar que eles sejam “não-naturais”.

Argumentar que nosso comportamento, como uma espécie, é geneticamente determinado, significa simplesmente dizer que ele tem limites – que a norma de reação é tão limitada pelos nossos genes de tal forma que a agressividade (ou o que quer que seja) se desenvolva independentemente das condições ambientais ou pelo menos se desenvolva sob a maioria das condições ambientais ás quais possamos ser expostos.

A afirmação de que a espécie humana tem uma tendência “natural” para certos tipos de comportamento normalmente está baseada em uma das duas alternativas. A tradicional é lembrar que os humanos se desenvolveram bem recentemente com outros primatas a partir de ancestrais comuns e chamar a atenção para semelhanças entre o comportamento humano e o de outros primatas ou, ainda, de espécies mais distintamente relacionadas. Presume-se que as características sejam geneticamente homólogas entre os humanos e as outras espécies. Existem problemas relacionados com essa argumentação, por exemplo; que qualquer um desses comportamentos é tão variável entre os humanos e entre as espécies não humanas que distinguir correspondências entre os dois grupos é muito difícil. A segunda alternativa para a determinação genética da “natureza humana” é centrada na adaptação. Este tem sido o principal argumento de alguns sociobiologistas. Os argumentos da sociobiologia consistem principalmente em criar hipótese sobre quais seriam os comportamentos adaptativos e procurar congruências entre comportamentos esperados e observados.

A existência de variação nas características comportamentais humanas não daria base para a visão ambientalista se a variação fosse, em grande parte genética – possivelmente, cada um de nós ficaria limitado a uma parte determinada do espectro do comportamento, devido ao nosso próprio genótipo. Isso implica em duas questões: será que a variação comportamental entre indivíduos é devida, em grande parte, a diferenças genéticas? E, se fosse verdadeiro, implica que nosso comportamento individual é fixado pelos nossos genes? Com relação a essa última questão, a resposta é evidente, que é não! Todo genótipo tem uma norma de reação, uma variedade de fenótipos expressos sob a influência de ambientes diferentes. Assim, dois genótipos que manifestam fenótipos diferentes em um determinado ambiente podem apresentar o mesmo fenótipo ou fenótipos diferentes reversos em outro ambiente.

O debate “natureza versus condições sociais” tem sido centralizado em torno do tema variações na inteligência ou, mais propriamente no valor do QI (quociente de inteligência).O debate então, é se a variação contínua no QI também representa variação genética. Pressupõe-se que esses testes sejam absolutamente não influenciados pela cultura, mas na realidade eles têm sido criticados como favorecedores de indivíduos brancos e da classe média.

Os melhores dados sobre a herdabilidade do QI vieram de estudos recentes que correlacionaram o QI de pais adotivos com seus filhos biológicos e seus filhos adotados, vivendo no mesmo lar; a suposição, nesse caso, é que a correlação entre o pai e seu filho biológico seria devida tanto aos genes como ao ambiente, enquanto que a correlação entre o seu pai e seu filho adotivo seria devido somente ao ambiente. Em dois estudos desse tipo, o QI da mãe foi correlacionado identicamente com o do seu filho biológico e o do seu filho adotivo. A correlação entre o QI do pai e do seu filho biológico foi maior do que a correlação do QI dele e do seu filho adotivo, mas a diferença não foi estatisticamente significativa.

Da mesma forma que na Europa pré-científica haviam pessoas que citavam a Bíblia para justificar as cruzadas, inquisições e caça as bruxas, as ideias da ciência muitas vezes são utilizados a serviço da iniquidade social. Nos seus primórdios, a evolução foi utilizada de maneira desonesta pelos darwinistas sociais para justificar o racismo e a dominação imperialista, para excluir as mulheres do poder político e econômico com base nas suas supostas inferioridades genéticas; também para imputar a pobreza, analfabetismo e criminalidade à inferioridade genética nas qualidades intelectuais e morais e não às condições sociais que excluem grande parte da sociedade do acesso à riqueza e à educação.

Segundo Dawkins, em seu livro O gene egoísta, quase tudo que é incomum no homem pode ser resumido em uma palavra: "cultura", ele cria um nome para o novo replicador, um substantivo que transmita a ideia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade de imitação, denominada Meme.

Exemplos de memes são melodias, idéias, "slogans", modas do vestuário, maneiras de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se propagam pulando de corpo para corpo através dos espermatozóides ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se de memes pulando de cérebro para cérebro por meio de um processo que pode ser chamado, no sentido amplo, de imitação.

É por imitação, em um sentido amplo, que os memes podem replicar-se. Mas, da mesma maneira como nem todos os genes que podem se replicar têm sucesso em fazê-lo, da mesma forma alguns memes são mais bem sucedidos do que outros. Isto é análogo à seleção natural. Memes propagados e firmados em um ambiente consolidam tradições, de forma análoga aos genes, como Dawkins ressalta, o que parecer melhor, seja pelo motivo que for – coação, força argumentativa, ou o que valha), se firma mais em um determinado contexto, permanecendo.

REFERÊNCIAS:



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 01:41
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
Seminários 2011 li. Evolução da homosexualidade

 

 

 

Evolução do homossexualismo

 

Nomes:  Jaime Márcio de Carvalho Júnior                   

                Renata

Abordando as diferentes hipóteses sobre essa temática, o seminário contará com um eixo de orientação e desenvolvimento apresentado pela figura 1. Dessa maneira, a discussão iniciará sobre o quanto o comportamento homossexual é difundido na população humana, em diferentes culturas e, sobretudo em várias partes do globo.

 

 

Fig.1: Esquematização das principais hipóteses acerca do desenvolvimento do comportamento homossexual na espécie Homo sapiens.

 

Um dos exemplos bem conhecido acerca da dispersão desse comportamento encontra-se nas sociedades da Malásia, nelas de 10% - 20% requerem que todos os homens façam sexo homossexual, bem como, heterossexual (revisado por Herdt 1984a). Nas sociedades de ilhas do Pacífico, como o Taiti e o Havaí, o comportamento homossexual era comum antes da influência ocidental (Gunson 1964, Morris 1990). Na África, especificamente na Líbia, a frequência na população total chega a 95% (?) e na Sambia (Melanésia) a freqüência gira em torno de 100%, embora no caso da Líbia os dados não são confirmados é possível perceber que essa característica é amplamente distribuída em nossa espécie.

De acordo com Alfred C. Kinsey, em seu texto “Sexual Behavior in the Human Male”, uma considerável porção da população masculina possuí pelo menos alguma experiência homossexual entre a adolescência e a fase idosa, assim cerca de 60% dos garotos pré-adolescentes engajam-se em atividades homossexuais. Acerca do grupo de homens adultos que evitam contato homossexual, afirma Kinsey que esses são conscientes sobre a sua potencialidade de reagir a outros homens. É importante ressaltar, que esses dados refletem uma realidade negligenciada por parte da sociedade Ocidental e se apresentam na mesma incidência, seja em cidades grandes ou pequenas, áreas rurais ou não, se vêem de sujeitos escolarizados pelo sistema padrão ou pela educação católica, bem como instituições públicas ou privadas, de uma parte do país ou outra.

 

Kin Selection and Parental Manipulation

Partindo da consideração que humanos, durante seu curso de vida, geram poucos filhos e que investem pesadamente nessa prole, o sucesso reprodutivo e a sobrevivência da linhagem dependem mais da qualidade do que da quantidade de crianças geradas. Se homossexuais aumentam o sucesso reprodutivo de seus parentes, então o material genético transmitido para a geração posterior via “kin selection” e que é comum ao sujeito homossexual, pode ser compensado pela falta da prole existente nos homossexuais. Essa evidência pode vir do suporte direto à prole/linhagem ou indireto por não gerar competidores na linhagem herdeira.

Wilson (1975) sugere que se homossexuais em uma sociedade não-tecnológica funcionam como auxiliares e que a seleção por parentesco pode manter esses genes para a homossexualidade. Entretanto, Alexander (1974) afirma que indivíduos não reprodutivos podem sim aumentar o sucesso de seus parentes, mas que esse ganho no “fitness” não é suficiente para compensar a perda causada por indivíduos não reprodutivos. Se assim o é, os pais podem manipular seletivamente a prole para abandonar a reprodução sexual, se tornarem homossexuais, e auxiliarem na criação da prole de seus parentes.

 

Ambas as hipóteses podem se confundir por partirem de pressupostos comuns. Dickemann sugere uma terceira hipótese agrupando elementos de ambas. Denominada de hipótese de “fitness inclusivo”, é sugerido que não se faz necessário ser homossexual para auxiliar os parentes e assim sendo, a questão toma um caráter de “hipótese sobre o celibato e a não-reprodução”. As previsões em comum de todas as hipóteses são: o comportamento homossexual reduz o sucesso reprodutivo individual; as linhagens com homossexuais possuem um sucesso reprodutivo maior do que aquelas sem homossexuais e que o comportamento homossexual é tipicamente presente em indivíduos com baixo potencial reprodutivo, cada uma analisada separadamente a seguir.

 

A)             Sucesso reprodutivo individual reduzido – por definição, os homossexuais não geram prole, mas a maioria dos sujeitos que se engajam em atividades homossexuais são bissexuais. Não há ainda, nenhuma evidência de que o número de sobreviventes da prole ou até mesmo a fecundidade são limitadas pelo comportamento homossexual como visto na maioria dos indivíduos que praticam atos homossexuais. A maioria dos indivíduos que engajam em comportamento homossexual possui filhos. Em uma amostra de 3.180 mulheres britânicas contemporâneas, as bissexuais possuem fecundidade significantemente maior aos 25 anos e não há diferença significativa na fecundidade do tempo de vida quando comparadas às heterossexuais (Baker and Bellis 1995). Entre, aproximadamente, 265 homens homossexuais ou bissexuais acima dos 30 anos no Japão contemporâneo, 83% possuem filhos (Isomura and Mizogami 1992). Os dados em si são controversos, Davis (1929) em uma amostra de 1000 mulheres americanas casadas que possuem “relações emocionais intensas” com outras mulheres tendem a ter menos filhos do que as mulheres sem esse comportamento. Em uma amostra aleatória de mulheres americanas contemporâneas, a média de crianças nascidas de mulheres com experiências homossexuais é de 1,2 versus a média de 2,2 de mulheres sem experiências homossexuais (Essock-Vitale and McGuire 1988).

 

 B)             Aumento do sucesso reprodutivo das linhagens – Se o homossexualismo ocorre devido aos benefícios gerados pelos próprios homossexuais então haverá uma grande sobrevivência da prole em linhagens com homossexuais. Embora não há dados concretos sustentando tal informação, esse mecanismo presumivelmente seria melhor em auxiliar a prole em linhagens contendo homossexuais do que em linhagens heterossexuais ou celibatos. Os dados são escassos, e a generalização que pode ser considerada é que indivíduos que se engajam em atividades homossexuais às vezes auxiliam suas famílias. Na China, alguns pais encorajam as filhas a se tornarem “sisterhood” no sentido de aumentar o ganho da linhagem. Outras formas de suporte ainda podem ser colocadas: de acordo com Fujian (1989), em casamentos homossexuais, existe o dote, uma forma de pagamento do sentido de auxiliar os recém-casados, e ainda mais, na Líbia, os maiores dotes são pagos pelos homens (Maugham in Murray 1997). Na América do Norte, transgêneros podem prover suporte à linhagem através de seu papel como mediadores de disputas, além de oferecerem tecnologias restritas como a cerâmica, e isso prover um ganho material maior (Hill 1935).

 

 C)             Típica aparência em indivíduos com baixo potencial reprodutivo – Se indivíduos renunciam à sua reprodução para auxiliar seus parentes (altruisticamente por “kin selection”, e sob coação da manipulação parental), portanto serão esses com a menor probabilidade de produzir uma prole diretamente. Fatores associados com o potencial reprodutivo incluem a ordem de nascimento, sexo biológico, e as taxas sexuais demográficas. Dados podem sustentar algumas predições: a ordem de nascimento claramente pode estar associada com fatores imunológicos definidos pela mãe no período gestacionário. Homens que se identificam como homossexuais nos E.U.A. e Canadá tendem a ter mais irmãos mais velhos do que àqueles que se identificam como heterossexuais (Blanchard e Bogaert) e tal fato pode suportar a relação entre a homossexualidade com o baixo potencial reprodutivo. O papel de gênero “reverso” de alguns indivíduos que se engajam em atividades homossexuais é comum em algumas sociedades. Portanto, levando em consideração a ordem de nascimento, filhos nascidos primeiro são, às vezes, criados como filhas, além disso, as primeiras filhas nascidas, aparentemente, são criadas como filhos em Kaska, América do Norte (Waits in Greenber 1988). Tais evidências suportam a idéia de que a baixa ordem de nascimento pode estar relacionada com o comportamento homossexual. Sobre o sexo biológico é possível afirmar que homens possuem uma variância maior do que mulheres no sucesso reprodutivo (Trivers 1972), e se a homossexualidade resulta de um baixo potencial reprodutivo haverá, portanto, mais homens homossexuais do que mulheres. Existe o dobro de homens que se identificam como homossexuais em relação às mulheres, pelo menos no Reino Unido, E.U.A. e França (Sell, Wells and Wypij 1995). Estudos “cross-culturas” mostram que o comportamento homossexual masculino é mais freqüente do que o feminino, tal fato pode ser resultado do grande controle cultural existente acerca da sexualidade feminina. Nas ilhas britânicas contemporâneas, homens e mulheres reportam níveis similares de atração homossexual, porém as mulheres reportam apenas a metade do nível de comportamento homossexual. Partindo de um ponto de vista demográfico, muitos estudos sugerem que homens com baixo poder, se engajam em comportamentos homossexuais primeiramente porque os homens mais poderosos possuem mais esposas e, portanto reduzem a disponibilidade de sexo com parceiros de outro sexo (Strauss 1943, Wilson 1959). O pressuposto implícito é de que o homossexualismo somente ocorre quando as oportunidades heterossexuais são ausentes, porém não há dados suportando tal afirmação, assim, machos poligâmicos da Melanésia possuem muitos amantes, e muitas das vezes preferem sexualmente seus parceiros homens a suas esposas (Deacon 1934). Além de que o comportamento homossexual é muito mais atrativo do que o heterossexual em várias sociedades como no Paquistão, mineiros migrantes de várias sociedades na África do Sul e os clássicos atenienses.

 

 As hipóteses da “kin selection” e manipulação parental diferem nos mecanismos que prevêem. Na primeira, os indivíduos se tornam homossexuais por vontade própria, e na segunda a homossexualidade é induzida quando os pais canalizam recursos ou socializam a prole em uma maneira que os torna menos competitiva no que diz de seu papel reprodutor. Existe um engraçado suporte de dados para a manipulação parental, certamente, os pais julgam o valor reprodutivo dos filhos e algumas vezes encorajam o comportamento homossexual. Rocke (1996) da um exemplo de manipulação parental ocorrida em Florença do século 15, onde os pais encorajam relações homossexuais entre seus filhos e líderes influentes da linhagem, aparentemente com o objetivo de aumentar seu poder político. Esse fato é similar ao que ocorria em Atenas Clássica e Melanésia, onde os pais selecionavam “patronos” homens para seus filhos. Os pais também manipulam seletivamente a prole para adquirirem papéis não reprodutivos, como castrar os filhos e classificá-los como eunucos na corte Bizantina. Na cultura Auracaniana, América sulina, os “xamãs transgêneros” eram geralmente escolhidos para essa função quando crianças, e a preferência por eles eram direcionadas àqueles que quando crianças já mostravam disposição efeminada.

 

Outra consideração a ser feita é a importância do comportamento homossexual para a sobrevivência individual. Se o comportamento homossexual possuí benefícios de “fitness” devido às alianças do mesmo sexo, essas alianças devem auxiliar indivíduos a estabelecerem e manterem uma família, consequentemente, ajudando à prole atingir a idade reprodutiva.

 

Balanço de Polimorfismo

 

Na tentativa de agregar um caráter genético bem definido para a discussão, mesmo por que já sabemos que o comportamento homossexual está sob seleção positiva na sociedade humana, a terceira abordagem descrita por Hutchinson (1959) implica em uma segunda característica por trás do comportamento homossexual que estaria sob seleção positiva e não o homossexualismo em si. Apesar do autor não dizer qual seria essa segunda característica, ela correlaciona o comportamento homossexual com a baixa fertilidade e afirma que existe um controle genético suficiente que afeta a distribuição de genótipos na população humana. Como esses estudos são baseados em dados que muitas das vezes não apresenta uma significância estatística, opta-se nesse seminário por trabalhar com outro estudo publicado pela revista Science em 2010 com autoria de Dean H. Hamer, em que utiliza análises genealógicas, o autor relaciona marcadores polimórficos de DNA no cromossoma X com a orientação sexual em homens. Nesse estudo, os indivíduos são separados de acordo com as diferentes análises propostas, assim, uma amostra inicial de 76 indivíduos para uma análise genealógica, sendo 38 pares de irmãos homossexuais, juntamente com seus pais e outros parentes quando disponíveis, além desse grupo, duas famílias adicionais foram determinadas aleatoriamente para as análises de DNA. Os indivíduos preenchem então, um questionário que avalia critérios de identificação sexual tais como identificação de gênero infantil, desenvolvimento sexual na adolescência, comportamento sexual adulto, escala de Kinsey, uso de álcool de outras substâncias, histórico mental, perfil genético, status de infecção por HIV e demografia. Dos homossexuais avaliados, mais de 90% se identificaram na escala de Kinsey com valores 5 e 6, enquanto que mais de 90% de seus parentes não homossexuais se identificaram na escala com valores de 0 e 1. Devido às algumas sobreposições nas análises de questionário, principalmente quando se avalia o comportamento sexual, a orientação sexual é preferencialmente tratada como um caráter dimórfico e não uma variável contínua.

Dada a análise genealógica, foram coletados históricos familiares de 114 homens homossexuais que classificaram seus pais, filhos, irmãos, tios e primos do sexo masculino quanto à escala de Kinsey como sendo homossexual ou não. A confiabilidade dos dados sobre a sexualidade dos diferentes membros familiares foi confirmada por um questionário aplicado a essas mesmas pessoas, resultando em um índice de 99 sujeitos parentes. Dessa maneira, houve concordância dos dois questionários aplicados para todos os 69 indivíduos que se consideram homossexuais, e 27 dos 30 que se consideram não-homossexuais.

Com base em estudos de separação, a estimação da prevalência de homens homossexuais na população foi de 2%. E pela análise genealógica, a alta taxa de orientação homossexual foi vista em irmãos, que possuem 13.5% de chance de serem gays, representando um aumento significativo de 6 a 7 vezes maior do que o estimado de 2% realizado para a população total (P<0.001). Dentro dos parentes mais distantes, apenas dois grupos obtiveram taxas significativamente maiores para a orientação homossexual do que a estimativa da incidência para a população total, que são tios maternais e filhos de tias maternais. Ambas as taxas de maternidade relacionada somam uma porcentagem de aproximadamente 7,5%, que é significativamente maior do que a incidência geral da população (P<0.01). Por outro lado, os pais e quaisquer parentes relacionados paternalmente possuíram uma taxa menor ou não significativamente diferente do que o estimado para a população total.

Embora as taxas de orientação homossexual observadas em tios da linhagem maternal e primos de indivíduos gays foram maiores do que nas mulheres e parentes relacionados paternalmente, elas ainda permaneceram menores para o que se esperaria de uma simples característica com distribuição Mendeliana. Além disso, houve um número substancial de famílias em que lésbicas ou gays relacionados paternalmente foram presentes, assim, podemos inferir que algumas instâncias do homossexualismo é “macho-limitada” e herdada maternalmente, enquanto que, outras são tanto esporádicas, não limitadas pelo sexo e não transmitidas maternalmente. A fim de testar as afirmações, foram escolhidas 38 famílias em que há dois irmãos homossexuais e não mais que uma parente lésbica, bem como uma não indicação de transmissão de homossexualidade de pai para filho (ou seja, nem pai nem filho são gays). Portanto, nós hipotetizamos que uma seleta população de famílias pode ser favorecida com fatores genéticos transmitidos maternalmente e, portanto mostram taxas maiores de homossexualidade em tios da linhagem materna e primos homens.

Os resultados resumidamente demonstram uma taxa elevada de orientação homossexual não apenas em irmãos de homens gays, mas como também em tios maternais e filhos de tias maternais, assim, pelo fato de que tios e primos dividem informações herdáveis com seus parentes homossexuais e que, entretanto, foram criados em condições diferentes, essa observação sugere mais uma interpretação genética do que uma influência ambiental.

Em relação à possível ligação com o cromossoma X, iniciamos a discussão afirmando que cada homem recebe exclusivamente seu cromossoma X da mãe, portanto, qualquer característica genética que esteja relacionada nesse cromossomo será herdada preferencialmente pelo lado materno da família. Uma análise de ligação de DNA pode fornecer dados possibilitando-nos diferenciar a herança ligada ao X de hipóteses competidoras tais como: efeitos maternais ou taxas reprodutivas menores de homens. Assim, se o cromossoma X possui algum gene que aumenta a probabilidade de um indivíduo se tornar homossexual, então homens homossexuais relacionados geneticamente devem dividir alguns marcadores no cromossoma X perto ao suposto gene, caso não exista esse gene, nenhuma correlação significante estatisticamente entre o cromossoma X e a orientação sexual será observada. A análise foi realizada em uma seleta população de famílias em que há dois irmãos homossexuais, devido a algumas vantagens: consiste em uma amostra não paramétrica e sem influências de genes ou mesmo suas freqüências, são capazes de detectar um único lócus mesmo se genes adicionais ou influências ambientais são requeridos para expressar as características, exclusão de falso-negativos (indivíduos que seriam homossexuais, mas preferiram não se identificarem, exclusão de falso-positivos (indivíduos que seriam heterossexuais, mas se identificaram como homossexuais). As amostras consistiram de 40 pares de irmãos homossexuais (38 relacionados genealogicamente e 2 amostrados aleatoriamente) juntamente com seus irmãos e mães. As amostras de DNA foram preparadas de cada indivíduo e analisadas para uma série de marcadores ao longo com cromossoma X. Cada par de irmãos foi classificada tanto como concordantes por descendência (D), se é sabido que a mãe é heterozigota e que ambos os filhos herdaram os mesmos alelos, e concordante por estado (S) se a mãe é inválida ou ambos os filhos dividem os mesmos alelos e não informativo (n) se a mãe for homozigótica para os marcadores. Posteriormente usa-se um teste de razão, em que é calculado a probabilidade (z1) dos irmãos dividirem os marcadores por descendência e a significância estatística dos desvios dos valores de z1=1/2 esperados para a hipótese nula de não ligação. Os marcadores usados na análise de ligação são seqüências repetitivas variáveis, fragmento de restrição de comprimento de polimorfismo, todos detectados por PCR.

Os dados resumidamente sugerem que o lócus (ou loci), na região Xq28, pode estar relacionado com a orientação sexual e que possuí aproximadamente 4 milhões de pares de bases de DNA no longo braço do cromossoma X, embora essa região represente apenas 0.2% do genoma humano, é suficientemente grande para conter centenas de genes.

 

H-Y Antigen and Homosexuality in Men

 Artigo científico, publicado em 1996 com a autoria de Ray Blanchard da Universidade de Toronto, Canadá, inicia a discussão evidenciando a correlação entre a orientação sexual em homens com a ordem de nascimento. Assim, para cada irmão mais velho adicional a probabilidade de homossexualidade do próximo nascimento masculino aumenta em torno de 33%, porém tal evidência não foi encontrada para a ordem de irmãs mais velhas nascidas.

A hipótese defendida pelo autor sugere uma correlação imunológica em que envolve uma progressão imunológica, provida pelo feto masculino, da mãe à medida que possuí mais filhos do sexo masculino. O autor sugere um antígeno fetal relacionado ao sexo masculino, portanto ao cromossoma Y, que conjuntamente é denominado antígeno H-Y. Dos três sistemas apresentados, a terceira forma do antígeno (H-Y solúvel) foi identificada como sendo idêntico ao hormônio anti-Mulleriano, fator testicular responsável pela regressão pré-natal dos ductos Mullerianos em embriões masculinos. Esses antígenos, certamente, apresentam papéis importantes na diferenciação sexual de vertebrados (Wachtel 1983), pois é usualmente presente em heterogametas (XY) e ausente em homogametas (XX) com continuidade na população durante o curso evolucionário (Wachtel et al 1975). O possível envolvimento do antígeno H-Y no desenvolvimento de traços sexuais típicos sugere que a exposição fetal de anticorpos H-Y pode afetar com subseqüente comportamento sexual em homens.

Portanto, o antígeno H-Y expresso em fetos masculinos e não em femininos sugere que a mãe possa obter uma memória imunológica acerca de quantos homens essa mesma mãe já engravidou, causando, assim respostas imunológicas distintas aos próximos fetos masculinos. Assim, esse fato poderia explicar o porquê da maior probabilidade quando em conta a ordem de nascimento de fetos masculinos e não femininos.

Referências Bibliográficas

 

HAMER D.H., HU S., MAGNUSON V.L., HU N. & PATTATUCCI A.M. (1993) A linkage between DNA markers on the X chromosome and male sexual orientation.  Science 261, 321-327.

KINSEY A.C., POMEROY W.R. & MARTIN C.E. (2003) Sexual behavior in the human male. 1948.  Am.J.Public Health 93, 894-898.

KIRKPATRICK R.C., PLATO & LEVI-STRAUSS C. (2000) The Evolution of Human Homosexual Behavior.  Curr.Anthropol. 41, 385-413.

 

(Hamer e cols., 1993; Kinsey e cols., 2003; Kirkpatrick e cols., 2000)

 

BLANCHARD R., KLASSEN P. (1997) H-Y Antigen and Homosexuality in Men. J. theor. Biol.185, 373-378



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 13:05
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Seminário 2011 lic. Filogenia e Evolução

Filogenia e Evolução

Felipe Teles Rezende

Krishna

Walles

 

Evolução BEV170

 

 

Breve História da Classificação dos Organismos

Desde tempos primordiais, o homem vem tentando agrupar as espécies vivas e toda a natureza em classes e grupos distintos, tal procedimento é extremamente valioso para os estudiosos, pois ao apresentar certa organização nos agrupamentos dos organismos, podemos inferir melhores conceitos sobre a história do surgimento e extinção de grupos e sobre a capacidade de modificações inerentes à própria espécie, tendo como base a teoria da seleção natural como principio modificador de todo o sistema de organismos.

O estudo dessas classificações surge durante a Idade Clássica, em uma região onde fervilhavam idéias e o estudo da natureza era totalmente empírica. Estamos falando da Grécia Antiga, onde filósofos e naturalistas tentaram, de suas varias maneiras, não só agrupar os organismos, mas acima de tudo, entender a dinâmica da própria natureza. De fato, Platão não se referiu diretamente a organismos e classificações e sim considerou o problema dos “tipos naturais” que teriam existência real e qual o papel do conhecimento inato no seu reconhecimento. Muitas dessas tentativas de reconhecimento da organização da natureza foram mediadas por doutrinas e pensamentos baseados em vultos religiosos que persistiu por muitos séculos, onde os deuses assumiam as formas da natureza e essa materialização trazia consigo muitas das respostas para tal diversidade natural. Para Nelson & Platnick (1981), a contribuição de Platão para a sistemática é filosófica, não metodológica. Na visão proposta por Aristóteles a organização da biologia conhecida em sua época estava de acordo com sua teoria geral sobre a natureza do universo. As espécies eram eternas e imutáveis, e toda a diversidade podia ser subdividida em tipos naturais discretos e estáveis no tempo e no espaço.

Após muitos séculos e com o crescente poder do cristianismo, também a sistemática foi influenciada (Hull, 1988). Tomando por base interpretações bastante particulares das propostas platônica e aristotélica, os teólogos cristãos chegaram à conclusão de que os grupos naturais, com existência real, seriam aqueles que refletissem a criação divina. Essa é a premissa fundamental da teologia natural.

Muitos tentaram de alguma maneira agrupar os organismos, dentre eles Lamarck, Geoffroy Saint-Hilaire, Georges Leclerc, Conde de Buffon, entre outros e somente no século XVIII, Carolus Linnaeus, médico, botânico, zoólogo e naturalista sueco, proporcionou a primeira forma moderna de classificação: a utilização de uma nomenclatura binomial (sistema de nomes que possuíam duas partes, uma referente ao gênero e outra referente a um epíteto específico). Ele propôs um sistema de agrupamento seguindo uma Classificação Hierárquica. Esses níveis de classificação (reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécies) referem-se ás categorias taxonômicas, onde um grupo particular de organismos assume uma categoria conhecida como Táxon. Interessante perceber que Linnaeus baseou-se em estudos anatômicos para o agrupamento e nomenclatura dos organismos.

O trabalho de Linnaeus contribuiu imensamente para a estruturação do que seria talvez o maior avanço nos estudos taxonômicos, a Teoria da Seleção Natural. Com o advento da teoria de evolução via seleção natural de Alfred Wallace e Charles Darwin, a diversidade biológica começou a ser compreendida dentro de uma perspectiva materialista que dava pouco espaço a explicações sobrenaturais. Ao menos na maioria dos círculos científicos, Deus, como causa próxima, foi sendo lentamente substituído pela evolução. Darwin conseguiu, de modo surpreendente, demonstrar que animais com características distintas deveriam apresentar e compartilhar um ancestral comum.  Seguindo tal linha de pensamento, Darwin inferiu que os animais deveriam apresentar um ancestral comum, e esse mesmo ancestral deveria ter, ele próprio outro ancestral, e assim até um primeiro ancestral vertebrado. Os organismos de agora, na visão de Darwin, deveria ter se modificado ao longo do tempo e evoluído para as condições agora viventes e que essas modificações não são estáticas e sim dinâmicas (os organismos de agora estão em um estado de evolução e conseqüentemente com o passar das eras tenderão a sofrer novas modificações). Darwin também supôs uma interpretação para a noção de organismos intimamente relacionados: eles descendem de um ancestral comum relativo e se distanciam um do outro quanto mais distantes estarão desse ancestral comum.

Dentro dessa perspectiva, o alemão Ernest Haeckel foi um dos pioneiros na construção de árvores filogenéticas baseadas na comparação de similaridades compartilhadas pelos organismos. Criador do termo Filogenia (do Gr. phylus – tribo, raça) para identificar os diagramas que mostrassem as relações evolutivas, faltava, no entanto, às suas hipóteses um arcabouço metodológico que permitisse a reconstrução, de forma não ambígua, da história filogenética dos grupos.

Durante todo o século XX as idéias filogenéticas foram se desenvolvendo até que o entomólogo alemão Willi Henning, em 1950 utilizando de observações quanto à parcimônia e a necessidade de se ter grupos comprovadamente monofiléticos (grupo de organismos que apresentam o mesmo ancestral) em dípteros, publicou os resultados em sua aclamada revisão Phylogenetischen Systematik – Fundamentos de uma Teoria da Sistemática Filogenética, onde pavimentou as bases da Sistemática Filogenética.

De Aristóteles a Hennig, entremeados por Caesalpino, Buffon, Linnaeus, Lamarck, Darwin, Wallace, Mayr, Simpson e muitos outros, sempre se buscou criar maneiras de organizar o conhecimento da diversidade biológica de forma a representar algum tipo de afinidade natural entre os componentes dos grupos criados. Sistematas como Simpson (1961) viam na prática classificatória uma mistura de ciência e arte, uma vez que se fazia necessário o balanceamento de um amplo espectro de considerações e o equilíbrio não partia de um método rotineiro.

 

A Filogenia como ferramenta da Evolução

De acordo com Mark Ridley “...uma filogenia mostra com qual espécie (ou grupo de espécie) uma determinada espécie, ou um determinado grupo de espécies, compartilha o ancestral comum mais recente”. O termo filogenia visa determinar evolutivamente hipóteses de parentesco entre as espécies baseando nos caracteres, sejam eles morfológicos ou moleculares, compartilhados pelos organismos (Ridley 2006).

O estudo da filogenia apresentou ao longo da sua história, variados grupos de pensadores e duas das escolas que mais se destacaram foram a Escola Cladística e a Escola Evolutiva, além de novas escolas com a Molecular.

A escola Cladistica

A escola cladistica foi introduzida pelo entomologista alemão Willi Henning em 1966. Ele introduziu um método que era tão objetivo e explícito quanto a fenética e profundamente conectado à perspectiva evolutiva darwiniana. A filogenética hennigiana visa à criação de um sistema classificatório de referências que reflita a evolução. Nesse sentido, Hennig propôs que apenas grupos monofiléticos são naturais, uma vez que eles seriam os únicos que realmente respeitam o conceito evolutivo da ancestralidade comum. Um grupo monofilético é definido como a reunião de todos os descendentes de um ancestral comum, este incluso. Baseado no reconhecimento dos grupos monofiléticos (naturais), a sistemática filogenética é uma poderosa ferramenta para reconstruir a evolução dos organismos a partir de critérios científicos e objetivos, auxiliando na solução do problema de sistematizar a informação biológica que tem preocupado o homem desde a aurora da linguagem.

 

Hennig redefiniu o grupo monofilético e apresentou dois novos conceitos: apomorfia e plesiomorfia (termo empregado em cladística para designar uma característica considerada primitiva que foi modificada a outra mais recente dentro de uma linhagem). Por exemplo, a presença de vértebras é uma condição apomórfica em relação à ausência de vértebras (plesiomórfica) .De acordo com a Sistemática Filogenética, os grupos são sempre monofiléticos e baseados em sinapomorfias(caracteres homólogos apomórficos compartilhados por dois ou mais táxons). Não são admitidos os grupos parafiléticos e polifiléticos. As técnicas cladistica baseiam em caracteres morfológicos para inferir filogenias. Outros conceitos importantes são de homologia e homoplasia: Homologia é um caráter compartilhado por duas ou mais espécies que estavam presente no ancestral comum a eles.  Homoplasia: caráter compartilhado por duas ou mais espécies que não estava presente no ancestral deles (Ridley, 2006). Analisando o exemplo: considere o número de dígitos dos pés de uma rã, de um cão e de um cavalo. A rã e o cão têm os pés padrão de tetrápodas, com cinco dígitos. Esse é o estado ancestral de todos os tetrápodas. Os cavalos reduziram o número de digitos, ficando com apenas um. A condição tetrápoda é uma homologia ancestral, está presente no ancestral comum às três espécies, porém, não determina uma relação filogenética. Se ao estudamos as relações entre uma rã, um cão e um peixe, a condição de cinco digitos já não é uma condição ancestral. Tal condição não esta presente no ancestral comum às três espécies, sendo então, uma condição que surge no grupo em estudo, portanto, é uma homologa derivada.

Polaridade.

Um caráter tem dois estados e descobrir qual dos estados é ancestral ou derivado é descobrir sua polaridade.

Comparação com grupo externo: As espécies 2 e 4 compartilham o carater a’ e as espécies 1 e 3 o carater a. Saber se foi o caráter a que evolui de a’ ou se foi a’que evolui de a. Basta realizar a analise de grupo externo. O grupo externo deve ser aquele estreitamente relacionado ao grupo em estudo.

Neste caso, leva-se em consideração o Princípio da Parcimônia. “A filogenia mais parcimoniosa é aquela que requer o menor numero de modificações evolutivas” (Pough, 2006). Se o caráter a é ancestral e esta presente no descendente é provável que o caráter tenha permanecido constante durante o tempo evolutivo da espécie, do que tenha sofrido varias modificações no mesmo período e retornado a condição a.

Documento fóssil:

“A condição ancestral de um caráter tem de ser precedido às condições derivadas e , portanto, a condição mais antiga do documento fóssil provavelmente é ancestral”. (Ridley,2006).

 Quando mais completo o registro fóssil, mais precisa será a análise da polaridade.

Escola evolutiva:

Esta escola é um misto de fenética e filogenética.

Ela incorpora tanto elementos fenéticos quanto filogenéticos e elementos parafiléticos e monofiléticos.”         ( Ridley, 2006).

“A classificação fenética agrupa as espécies somente por sua semelhança quanto a atributos observáveis” (Ridley, 2006), não levando em conta aspectos evolutivos. Deste modo, esta escola considera os grupos polifiléticos e parafilético. Essa condição não é rejeitada pelo cladismo. Os grupos  de classificação filogenética são monofiléticos.

Segundo Colin (2000): Um grupo monofilético: Em cladística, chama-se monofilético a um clado (que pode ser um táxon no sentido da taxonomia de Lineu) que, de acordo com o conhecimento mais recente sobre as suas características anatômicas e genéticas, inclui todas as espécies derivadas de uma única espécie ancestral, incluindo esse mesmo ancestral.

Exemplo: O agrupamento dos répteis e aves formam um grupo monofilético porque descendem de um ancestral comum. Um grupo parafilético: Em cladística, chama-se parafilético a um táxon que inclui um grupo de descendentes de um ancestral comum em que estão incluídos vários descendentes desse ancestral, porém não todos eles. Exemplo: O grupo dos répteis não inclui as aves que apresentam o mesmo ancestral comum. Se acrescentar as aves tornar-se-a um grupo monofilético.

Um grupo polifilético: Em filogenética, chama-se polifilético a um grupo que não inclui o ancestral comum de todos os indíviduos. É um grupo monofilético do qual se retirou um grupo parafilético. Em outras palavras, é a reunião de dois ou mais grupos monofiléticos. Pode-se acrescentar que um grupo polifilético é aquele em que seus integrantes possuem vários ancestrais comuns, um em cada grupo.

Enfim, é um táxon definido por uma semelhança que não foi herdada de um antepassado comum. Trata-se de um termo da linguagem corrente que designa um conjunto de espécies que apresentam caracteres comuns, mas que agrupam clados de origens variadas e, deste modo, decorre de uma noção científica invalidada pela análise filogenética ou mesmo clássica. A formação destes grupos permite descrever um modo de vida e das adaptações comuns, resultante de uma convergência evolutiva. Os grupos polifiléticos não são universalmente aceitos nas classificações modernas, embora sejam empregados em obras de divulgação e inclusive em livros textos. Na escola evolutiva, a definição de grupos parafiléticos a inclusão ou exclusão de grupos é feita fenéticamente. A classificação fenética é considerada idealista pelos evolucionistas, portanto, neste aspecto, evolucionistas discordam dos feneticistas. Mas os evolucionistas aceitam os grupos parafiléticos, assim como feneticistas.

Filogenia Molecular

A grande quantidade de dados gerados a partir da década de 1970 e o seu acúmulo permitiram grandes avanços na filogenia molecular. É um campo da Biologia o qual visa estudar as relações evolutivas entre os diferentes grupos de indivíduos existentes na terra (extintas ou não).  A filogenia molecular objetiva-se em: Determinar a história evolutiva do gene, sua função assim como da espécie, caracterizar ancestrais, estimar tempo de divergência entre dois organismos desde o último ancestral compartilhado, caracterizar famílias gênicas e protéicas. O seqüenciamento de proteínas quanto de DNAs podem inferir filogenia. Para isso, o método mais utilizado é o de distâncias moleculares. Através de hibridização de grandes moléculas de DNA pode-se determinar as distância moleculares.   “Quanto mais semelhantes forem os DNAs de duas espécies, mais forte será a ligação entre eles e mais alta a temperatura necessária para separá-los.”( Ridley, 2006)

Esse processo é realizado com outras duplas de espécies, assim, é produzida a matriz de distância. “Essa matriz é transformada em filogenia, pressupondo-se que os DNAs mais semelhantes têm ancestrais comuns mais recentes”. (Ridley, 2006)

Estudo de Caso

 

Ciclo de vida, fenologia e anatomia floral de Pilostyles (Apodanthaceae – Rafflesiaceae s.l): subsídios para um posicionamento filogenético da família Apodanthaceae

 

Bianca de Azevedo Brasil

 

As plantas holoparasitas dependem inteiramente de recursos retirados do xilema e do floema de seus hospedeiros. Atualmente é representada por sete linhagens cujo posicionamento filogenético ainda é desconhecido como um todo. A família Apodanthaceae inclui plantas aclorofiladas, holoparasitas de caule com corpo vegetativo estritamente reduzido. São plantas evidentes somente na época de floração. Nessa família inclui três gêneros, sendo o de maior destaque e de maior amplitude o gênero Pilostyles. Apesar de estudos sobre o sistema endófito desse gênero, sua fenologia, ciclo de vida e ontogênese ainda são desconhecidos. O trabalho visa auxiliar na correta classificação desse grupo ao ancorar dados concisos para estudos comparativos com outros táxons.

O estudo foi realizado inicialmente pela Dra. Margarida Venturelli do Laboratório de Anatomia Vegetal da USP, e logo após assumido pela autora do artigo. Os estudos até então eram dispares quanto as características da família (e principalmente do gênero Pilostyles).

As plantas parasitas são caracterizadas por apresentarem uma estrutura que auxilia na captação dos recursos, o haustório (Kujit 1969). Essa estrutura é homologa a raiz, onde penetra nos tecidos do hospedeiro e é o responsável pela absorção de água e nutrientes (Nickrent 2002, Press 1990). Porem não devemos assumir o haustório como uma raiz aérea, pois este apresenta estruturas anatômicas diferenciadas.

O nível de impacto das plantas holoparasitas varia dramaticamente desde aquelas que não causam prejuízos aos hospedeiros até aquelas que podem causar uma deficiência de nutrientes e consecutivamente a diminuição metabólica desses hospedeiros.

Plantas parasitas constituem um grupo muito diverso, aproximadamente 4200 espécies, distribuídas irregularmente em 274 generos e 18 familias e estão em praticamente todos os habitats existentes  (Nickrent 2002).

O parasitivismo é considerado uma característica convergente que evoluiu aproximadamente 12 vezes nas angiospermas, porem essa diversificação surgiu predominaemente entre as Magnoliídeas e nas Eudicotiledoneas. Alem da classificação baseada em parentesco (filogenetica) as plantas parasitas são classificadas de acordo com seu nível de dependência em relação ao hospedeiro – hemiparasitas (clorofiladas e, portanto capaz de realizar fotossíntese) e holoparasitas (aclorofiladas) – acredita-se que as holoparasitas tenham evoluído independentemente em pelo menos sete linhagens – Balanophoraceae, Cynomoriaceae, Hydnoraceae, Cuscutaceae, Lennoácea, Orobanchaceae e Rafflesiales, porém as relações filogenéticas entre esses grupos continuam desconhecidas.

A ordem das Rafflesiales continua sendo um desafio para os sistematas. Anteriormente eram posicionadas em Rafflesianae próximo a Aristolochiaceae (Takhtajan 1980); em Rosidae no sistema de Cronquist (1981), em Magnolianae no sistema de Dahlgren (1991) e em Rafflesianae próxima de Piperinae no sistema de Thorne (1992). Atualmente esse grupo é inserido na base das angiospermas, no grupo das Magnoliídeas, porém em todos os casos a ordem Rafflesiales incluía as famílias Raflessiaceae e Hydnoraceae.

Estudos moleculares recentes não conseguiram efeitos importantes para a classificação dessa ordem das Rafflesiales. Nickrent em 2002, após analises de DNA a família Hydnoracea foi posicionada próxima das Piperales e distante das demais Rafflesiales.  Nesse mesmo estudo a ordem Rafflesiales foi considerada monofilética e posicionada próxima das Malvales, dentro das Eudicotiledoneas.

Mas no APG II (2003) as Rafflesiales (sem Hydnoraceae) e somente com as famílias Rafflesiaceae, Cytinaceae, Mitrastemonaceae e Apodanthaceae, foram colocadas em grupo de taxa incerto de angiospermas. Interessante notar que 7 das 18 taxas incertas incluem holoparasitas não fotossintetizantes. Essa incerteza e dificuldade deve-se ao fato da extrema especialização morfológica e a falta de material genético, pois não apresentam cloroplastos para analise do DNA. DNA nuclear também não é um bom ponto de estudo pois apresenta cerca de 3 vezes mais mutações e o DNA mitocondrial sofre processos de transferência horizontal com o DNAm dos hospedeiros.

Durante o ano de 2004 em um novo estudo de Nickrent a monofilia do grupo Rafflesiales foi negada e inferiu-se que o grupo seria composto por 3 ou 4 linhagens distintas. A família Rafflesiaceae foi posicionada dentro de Malpighiales, Mitrastemonaceae foi colocada em Ericales e Cytinaceae dentro das Malvales. A família Apodanthaceae variou seu posicionamento dependendo da análise de DNA (DNAnuclear - Malvales; DNAmitocondrial - Curcubitales).

Recentemente estudos realizados por Barkman (2007) posicionou Apodanthaceae dentro das Curcubitales, porem esse estudo apresenta baixo nível de confiança. No APG III (2009) essa família ainda esta em um grupo indefinido dentro de angiospermas. A família Apodanthaceae apresenta três gêneros: Apodanthes, Berlinianche e Pilostyles (a separação dos gêneros Berlinianche e Pilostyles não é aceita por todos os especialistas), Bouman e Meijer (1994) sugerem a inclusão de Berlinianche dentro de Pilostyles. O gênero Pilostyles apresenta aproximadamente vinte espécies que se distribuem por toda a região tropical e temperada do mundo.

A classificação das plantas em um consenso filogenético mostra-se de extrema dificuldade, muitos dos gêneros e famílias aqui apresentadas ainda não possuem uma posição certa dentro do clado das angiospermas, a ordem Rafflesiales sofreu inúmeras modificações, onde famílias eram anexadas e retiradas desse grupo a cada pesquisa. As famílias que suportam esse gênero também sofreram variadas modificações em suas posições (algumas até retiradas) e os gêneros, dentro de cada família por sua vez ainda aparecem como um mistério quanto a sua real posição nos táxons.

Estudar a filogenia de plantas é um trabalho árduo, muitas das características anatômicas idênticas não inferem filogenias, apenas demonstram a plasticidade desse reino em sua árdua adaptação, nem mesmo estudos moleculares como os realizados, demonstram certa organização, pois essas plantas aqui apresentadas são parasitas e possuem variadas maneiras de captação de recursos dos hospedeiros, mas para isso, algumas delas assimilam material genético, tornando a análise de DNA quase como um quebra-cabeça para posicionar com o menor erro possivel a real situação no clado dessas plantas parasitas.

Vale lembrar que as posições no clado, seja de plantas seja de animais, são somente uma tentativa de organização da natureza ao nosso redor, e que, estudos futuros poderão remodelar toda a ordem então estabelecida, demonstrando que a nossa compreensão da natureza ainda se faz, dia após dia, em uma batalha tênue entre a nossa necessidade de agrupar para explicar e a dinâmica das relações e formas assumidas pelos vários seres que compõe a natureza dinâmica da Terra.

 

Referências Bibliográfica:

  • ·        Brasil, B. A.;Ciclo de vida, fenologia e anatomia floral de Pilostyles (Apodanthaceae – Rafflesiaceae s.l): subsídios para um posicionamento filogenético da família Apodanthaceae
  • ·        AMORIM, Dalton de Sousa. Fundamentos de Sistemática Filogenética. Editora Holos (2002).
  • ·        Dias dosSantos; C. M - Os dinossauros de Hennig: sobre a importância do monofiletismo para a sistemática biológica – Scientiae zudia, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 179-200, 2008.
  • ·        RIDLEY, Mark. Evolução. 3 ed. Porto Alegre. Artmed, 2006.
  • ·        POUGH,F. H; JANIS, C.M; HAISER, J. B. A vida dos vertebrados. 6 ed. São Paulo. Atheneu, 2003.


publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 12:58
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Encontrei em um dos blogs da Nature este post de um dos editores do “Journal of Negative results – Ecology and Evolutionary Biology”. Esta revista segue a lógica do PLOS, mas é devotada ao fracasso, o bom fracasso.  Eu achei interessante o esclarecimento que ele dá, pois eu achava que a revista servia apenas para estudos que não detectavam diferenças significativas entre os parâmetros estudados mas com análises poderosas (no sentido estatístico da palavra, i.e., que o N era elevado, e portanto, SE houvesse diferenças elas DEVERIAM ser encontradas). Ou seja, a hipótese testada não resultava de fato em diferenças e portanto as premissas da pesquisa poderiam não ser de fato aplicáveis ao caso. Portanto, questões teóricas!

 

Ao contrário, a revista também se interessa por trabalhos bem desenhados, bem conduzidos, mas que ao final os autores concluem que não conseguiram encontrar diferenças porque NÃO tinham um desenho adequado para aquilo. A idéia é evitar que outros pesquisadores sigam caminhos amostrais ineficientes! Isto requer muita competência e segurança para ser escrito e publicado, e por isto mesmo devemos considerar (pois não muita gente deve tentar, como dá para ver no pequeno número de artigos!).

 

Muito interessante, tanto para submissão quanto para consulta ANTES de iniciar um projeto. Confiram e considerem!

 

http://blogs.nature.com/mike/2011/01/24/negative-results---who-needs-them

 

http://www.jnr-eeb.org/index.php/jnr/index

 



publicado por Sérvio Pontes Ribeiro às 12:50
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